Pesquisa põe em dúvida tratamento radical para câncer

Um tratamento agressivo e penoso para câncer de mama, com doses de quimioterapia tão altas que destroem a medula óssea da paciente, oferece pouco ou nenhum benefício em relação à quimioterapia tradicional para mulheres que correm risco de recorrência, informa um estudo. A pesquisa pode marcar o final do método caro e polêmico de tratamento, embora alguns médicos acreditem que essa quimioterapia radical ainda possa a vir se provar útil para algumas mulheres.A quimioterapia de doses muito altas emprega um nível de drogas muitas vezes mais elevado. Como o tratamento também ataca a medula óssea, a paciente tem que passar por um transplante de células-tronco extraídas do próprio corpo. A abordagem passou a ser usada para casos avançados de câncer de mama. Mas testes mais rigorosos, ao longo dos anos 90, mostraram que o tratamento intensivo não ajudava mulheres em quem o câncer já estivesse disseminado.A pesquisa mais recente, publicada na edição desta quinta-feira do New England Journal of Medicine, avaliou o tratamento em pacientes cujo câncer já tivesse atingido apenas os nódulos linfáticos, aumentando o risco de recorrência. Não houve diferenças perceptíveis no progresso das mulheres submetidas à quimioterapia normal ou ao tratamento radical.Segundo Harmon Eyre, médico-chefe da American Cancer Society, a evidência de benefícios produzidos pelo tratamento com doses muito altas é tão pequena, e o método é tão tóxico, que ?não vale mais a pena prosseguir com ênfase (nessa abordagem)?. Outros especialistas, no entanto, pedem novas pesquisas, principalmente comparando os resultados do tratamento com diferenças genéticas e étnicas.

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 14h31

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