Pesquisa revela diferenças entre estegossauros machos e fêmeas

Estudo feito por estudante de graduação em Paleontologia nos Estados Unidos mostra que placas dorsais dos machos eram arredondadas e as das fêmeas, pontiagudas

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 17h35

As diferenças entre estegossauros machos e fêmeas foram reveladas em uma pesquisa feita por um estudante de graduação americano. O estudo foi feito por Evan Saitta, atualmente com 23 anos, para a conclusão do curso de Paleontologia, na Universidade de Princeton (Estados Unidos), foi publicado nesta quarta-feira, 22, na revista científica PLoS One.

Os estegossauros, dinossauros herbívoros que viveram há 150 milhões de anos na América do Norte, têm duas fileiras de placas ósseas nas costas e dois pares de espinhos na ponta da cauda. De acordo com o estudo de Saitta, as placas dorsais dos machos são largas e arredondadas, enquanto as das fêmeas, com área 45% menor, são altas e pontiagudas. Até agora, os cientistas acreditavam que as diferenças entre as placas indicavam a existência de duas espécies diferentes de estegossauros.

Embora o dimorfismo sexual - as diferenças anatômicas entre machos e fêmeas da mesma espécie - seja extremamente comum entre os animais, determiná-lo em espécies extintas, como os dinossauros, é considerado uma tarefa surpreendentemente difícil, segundo Michael Benton, professor de Paleobiologia na Universidade de Bristol (Reino Unido), onde Saitta atualmente cursa mestrado.

"Evan fez essa descoberta quando estava completando seus estudos de graduação em Princeton. É muito impressionante quando um graduando faz uma descoberta científica de tanto peso", declarou Benton.

A grande dificuldade para determinar o dimorfismo sexual em espécies extintas, segundo ele, é eliminar outras possíveis explicações para as diferenças anatômicas entre os fósseis. Dois indivíduos com anatomias distintas podem, por exemplo, pertencer a duas espécies próximas, ou podem ser um indivíduo jovem e outro maduro.

O trabalho de Saitta, no entanto, teve uma fundamentação sólida: ele passou seis temporadas na região central do estado de Montana, nos Estados Unidos, fazendo parte de uma equipe de escavações que descobriu o primeiro "cemitério" de fósseis de estegossauros. Com isso, ele foi capaz de testar - e refutar - todas as explicações alternativas para as diferenças anatômicas entre os animais da espécie Stegosaurus mjosi.

"Quando se estuda dimorfismo sexual, é preciso eliminar todas as outras explicações possíveis. Nesse sítio de Estegossauros, eu tinha à disposição os melhores dados para testar todas as possibilidades de explicação. Bastante gente tentou fazer isso antes com dinossauros, mas o problema é que não há muitas espécies que fornecem as informações necessárias. Tive bastante sorte com os fósseis a que tive acesso", disse Saitta ao Estado.

No grupo de estegossauros descobertos em Montana, havia a coexistência de indivíduos com variações em suas placas dorsais. Segundo Saitta, caso se tratasse de duas espécies distintas, haveria certas diferenças nos esqueletos que indicariam uma separação de nichos ecológicos. O pesquisador também descobriu que as diferenças não eram resultado do crescimento. Analisando no microscópio finas fatias de amostras das placas dorsais dos fósseis, Saitta mostrou que o crescimento dos tecidos ósseos já havia cessado em ambas as variedades - isto é, mesmo com a diferença das placas, eram todos adultos. A melhor explicação, portanto, seria o dimorfismo sexual.

"Como os machos tipicamente investem mais em sua ornamentação, as placas dorsais mais amplas provavelmente pertenciam a eles. Essas placas mais extensas deviam fornecer uma grande superfície de exibição para atrair fêmeas. As placas mais altas e pontiagudas provavelmente funcionavam como uma proteção espinhosa contra predadores, para as fêmea", afirmou Saitta.

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