Pesquisa sobre tuberculose pode perder verba de US$ 1 milhão

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),premiados com um financiamento externo de cerca de US$ 1 milhão para colocar em prática três projetos científicos de combate à tuberculose, correm o risco de perder a verba por causa da paralisação da construção de um novo ambulatório que permitirá que o hospital universitário tenha condições de abrigar os estudos.O reitor da UFRJ, Carlos Lessa, está pedindo ajuda ao Ministério da Educação e foi nesta terça-feira a Brasília conversar com o ministro Paulo Renato Souza sobre o problema. Para finalizar a construção do ambulatório de biosegurança máxima, a universidade precisa de cerca de R$ 250 mil. Sem esse dinheiro, a doação de US$ 1 milhão pode ser cancelada.Os projetos brasileiros serão financiados por três instituições norte-americanas: a FDA (a agência que controla os medicamentos), o CDC (o centro de controle de doenças) e o NIH (os institutos nacionais de saúde). As três instituições vão pagar dois estudos de viabilidade de drogas para tuberculose - uma para tratar e a outra para prevenir a doença - e um programa de treinamento de profissionais de saúde. Cerca de 1.300 voluntários, entre vítimas de tuberculose e pessoassuscetíveis à doença, deverão participar dos testes com os remédios. Outras 150 pessoas - médicos, enfermeiros etc. - serão treinadas em sete cidades brasileiras (Rio, Vitória, São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, Porto Alegre e Recife). O objetivo da capacitação é melhorar o atendimento dos doentes, mas também fazer com que os profissionais de saúde realizem mais pesquisas.Hoje, tuberculose é considerada uma epidemia mundial. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a doença faz 9 milhões de novas vítimas por ano. O Brasil está entre os campeões e tem, segundo estimativas do Ministério da Saúde, 130 mil novos casos por ano. E é o Rio o Estado campeão de casos, com 16 mil anuais. "Esse é um problema brasileiro e mundial, mas é principalmente um problema do Rio. Por isso, temos que agir", explica o pesquisador Afrânio Kritski, coordenador da Unidade de Pesquisa em Tuberculose da UFRJ e responsável pelas pesquisas.O ambulatório de biosegurança está em fase final de construção. O novo prédio, com 300 metros quadrados e cinco salas para atendimento, terá capacidade para receber entre 300 e 350 pacientes. Hoje, o hospital atende menos de 200 pacientes e têm dificuldades para tratar casos muito graves de doentes com tuberculose porque essas pessoas precisam de instalações especiais com risco mínimo de contaminação. "Com as novas instalações, os pesquisadores vão poder ampliar o atendimento assim como receber os voluntários interessados em participar dos ensaios clínicos com as novas drogas", explica Afrânio Kritski.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2002 | 17h57

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