Pesquisa usa avião para analisar áreas desmatadas

Dados coletados devem render pelo menos dez anos de estudos; operação custou R$ 12 milhões

Fabio de Castro, O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2015 | 20h24

A primeira campanha de coleta de dados foi feita com o avião Gulfstream-1, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, nos arredores de Manaus. Ele também foi usado na segunda campanha, fazendo voos simultâneos aos da alemã Aeronave de Grande Altitude e Longa Distância (Halo, em inglês). 

O avião Halo percorreu ainda regiões do chamado arco do desmatamento, como os arredores de Alta Floresta (MT), onde grandes áreas de queimadas foram verificadas. Também fez sobrevoos nas imediações de Boa Vista (RR), São Gabriel da Cachoeira (AM), na região costeira próxima de Belém (PA), para medidas em nuvens marítimas, e ao longo do Rio Amazonas.

Segundo Luiz Augusto Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esses voos permitiram observar a formação das nuvens de chuva sobre áreas de floresta virgem, desmatada, de queimadas e sobre a área de Manaus, onde nuvens interagem com tipo específico de emissões de poluentes. 

Os cientistas estão especialmente interessados na relação entre a formação de chuva e os diferentes tipos de aerossóis - micropartículas que possibilitam a condensação das gotas -, originados das queimadas, da poluição urbana e da floresta. 

Foram coletados cerca de 16 terabytes de dados. Segundo Machado, a operação custou R$ 12 milhões. “Foi um investimento muito grande. Teremos pelo menos dez anos de pesquisa pela frente, a partir desses dados”, afirmou o cientista.

Os primeiros resultados mostram que os novos dados trarão novidades para a compreensão das chuvas: os cientistas descobriram nas nuvens amazônicas a existência de gases nitrogenados, cuja presença é ainda inexplicável para a ciência. 

Perguntas. Para Paulo Artaxo, da USP, há muito o que aprender sobre as nuvens. “Quando algo não se ajusta à descrição dos fenômenos, nosso interesse aumenta. A ciência nunca para de buscar respostas, e cada uma que achamos gera outras 20 perguntas.”

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