Pesquisador cria peixe transparente como 'laboratório vivo'

Animal permite acompanhar o desenvolvimento de tumores sem necessisdade de realizar a dissecação

BBC Brasil,

08 de fevereiro de 2008 | 19h24

O peixe é uma variedade do popular paulistinha, também conhecido como peixe-zebra - um peixe ornamental de água doce muito comum em lojas de aquarismo do Brasil e que, normalmente, tem faixas pretas horizontais no corpo.   O peixe foi criado por Richard White, do Hospital Infantil de Boston, que disse que a análise do paulistinha transparente pode permitir um melhor acompanhamento de doenças e processos biológicos de evolução rápida.   Segundo White, em estudos sobre o câncer, por exemplo, o método convencional de dissecar um animal com o mal não é satisfatório. "É como tirar uma foto quando você precisa de um vídeo", afirmou.   Experimentos   O próprio pesquisador "testou" o paulistinha transparente, realizando primeiramente um experimento em que analisou a forma como células de um tumor na pele (melanoma) se comportaram depois de terem sido criadas, com um pigmento fluorescente, dentro do abdômen do animal.   Em um período de cinco dias, as células, vistas ao microscópio, pareceram se alastrar da cavidade abdominal para a pele do peixe, onde se sentiriam "em casa".   "Isso nos diz que, quando células de um tumor se espalham para outras partes do corpo, não o fazem de forma aleatória", disse White. "Elas sabem para onde ir."   O pesquisador afirma que os cientistas ainda não sabem ao certo o que leva um tumor cancerígeno localizado a se espalhar para outras partes do corpo, tornando-se posteriormente fatais.   No estudo com o paulistinha, White disse ter sido capaz de ver exatamente como o câncer começou a se espalhar e mesmo como cada célula cancerígena individualmente se multiplicou - em tempo real, em um ser vivo.   Célula-tronco   Em outro experimento que fez, o cientista analisou com detalhes como células-tronco que levam à produção de células de sangue reagiram ao serem transplantadas no paulistinha.   Novamente, o cientista elogiou o uso do peixe transparente, que permitiu até mesmo a observação de células-tronco individuais.   "O que acontece em um organismo vivo é diferente do que o que acontece em uma placa de petri (instrumento cilíndrico de laboratório, usado para culturas de células e microrganismos em geral)", disse.   Para criar o novo peixe, o pesquisador simplesmente cruzou duas variedades já existentes de paulistinha, que geraram uma terceira sem pigmentos no corpo.   O paulistinha de White não é o único peixe transparente. Há algumas espécies que naturalmente têm poucos ou nenhum pigmento no corpo, como é o caso do peixe-vidro (Chanda ranga).

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