Pesquisador não vê motivo para moratória na pesca em MS

Espécies superexploradas preocupam, mas a situação geral no Pantanal não exigiria restrição à pesca artesanal e esportiva

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Por Agencia Estado
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O anúncio pegou pesquisadores e a comunidade em geral de surpresa. Os governos dos Estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul estariam estudando uma moratória na pesca artesanal e esportiva no Pantanal. O motivo seria a baixa dos estoques pesqueiros. Segundo Agostinho Catella, biólogo e pesquisador da Embrapa Pantanal há 18 anos, os dados analisados por ele e por outros cientistas indicam que a situação dos peixes do Pantanal não está tão crítica como pode parecer a primeira vista. A região pantaneira está mais seca nos últimos tempos, ?e isso é o suficiente para diminuir a quantidade de peixes de uma forma natural?. Mas daí para falar em situação alarmante é um exagero, diz. ?Ao mesmo tempo que a seca interfere na produção, o esforço de pesca também diminuiu nos últimos anos.? Estável O pesquisador da Embrapa afirma que a pesca artesanal no Pantanal está estável desde a década de 1990, em torno de 350 toneladas por ano. Além disso, em termos de pesca esportiva, a quantidade de visitantes diminuiu desde a virada do século. ?Em 2000, foi registrada a entrada de 59 mil pescadores. Em 2003, o número foi de 28 mil visitantes?, compara. Quando a questão se volta para espécies isoladas, como o pacu, a afirmação de que a pesca não tem impactos negativos na região começa a mudar de figura. ?Os dados gerados a partir de mais de um tipo de modelo de análise, já em 2000, mostraram que essas espécies estavam sendo superexploradas?, diz Catella. Naquele ano, o tamanho mínimo de captura do pacu subiu dos 40 centímetros para 45 centímetros. E mesmo a indicação não sendo tão clara para o jaú, outro peixe da região, houve a opção de também mudar o tamanho mínimo de captura dessa população. A medida subiu dos 90 centímetros para os 95 centímetros. Desmatamento e agrotóxicos Tanto a Embrapa Pantanal como outros órgãos de pesquisa, analisam dados específicos para o pacu a partir de 2000, quando as novas medidas começaram a ser implantadas. Esses resultados devem ficar prontos, segundo Catella, até o fim do ano. ?É preciso entender que onde existe pesca o ecossistema está saudável. É muito mais importante, mas também mais difícil, agir sobre outros problemas, que são, esses sim, críticos para a pesca?, afirma. Segundo o pesquisador, desmatamento, agrotóxico e obras para a navegação e a construção de represas são os verdadeiros vilões da pesca pantaneira.

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