Pesquisadores acompanharão rota das baleias

Oito baleias-jubarte foram marcadas neste ano pelo Projeto Monitoramento de Baleias por Satélite, que tem o objetivo de estudar as rotas de migração da espécie, que se reproduz na costa brasileira, nos meses de inverno e primavera, e segue para a Antártica, no início do verão. O resultado dos 21 dias da Expedição 2002 foi apresentado hoje pelos pesquisadores, no Rio de Janeiro. Segundo o professor Artur Andriolo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, até o momento apenas uma das baleias marcadas está transmitindo sinais captados via satélite e retransmitidos para bases em terra. ?Nas regiões tropicais, a cobertura de satélites é menor no que nas regiões polares. Assim, esperamos ter mais sinais quando os animais chegarem mais perto da Antártica?, diz.Pesquisador da área de comportamento e ecologia animal, Andriolo explica que são esperadas também falhas de equipamento, já que é uma tecnologia em desenvolvimento. ?Na primeira expedição do projeto, no ano passado, conseguimos marcar um animal, mas o sistema eletrônico não funcionou?.A pesquisa utiliza, pela primeira vez no Atlântico Sul, uma tecnologia desenvolvida por por cientistas norte-americanos e dinamarqueses, testada com bons resultados nos oceanos Pacífico Norte, Atlântico Norte e Antártica. Ao todo, sete instituições estão envolvidas no projeto - Biodinâmica Engenharia e Meio Ambiente, GMA - Soluções Ambientais, Universidade Federal de Juiz de Fora, Washington Cooperative Fish and Wildlife Research Unit, National Marine Mammal Laboratory, Greenland Institute for Natural Resources e Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq) da Universidade Federal de Santa Catarina. Patrocinado pela Divisão de Exploração e Produção da Shell Brasil, a pesquisa tem um custo anual de R$ 230 mil.Segundo Andriolo, a expectativa é que o projeto siga por cerca de dez anos e possa estudar as oito espécies de baleias que migram para o litoral brasileiro todos os anos. A baleia-jubarte foi escolhida para dar início ao estudo principalmente devido ao seu comportamento, que favorece a aproximação de embarcações, o que facilita a fixação dos transmissores. ?O transmissor é colocado através de um bote, que se aproxima a até 3 metros do animal, quando o pesquisador consegue fixar o equipamento com uma vara?. ?Queremos que os transmissores nos ajudem a responder qual é o caminho seguido pelas baleias depois de deixam o Brasil, onde se alimentam na Antártica e quais fatores influenciam na escolha dessas rotas?, diz o pesquisador. As baterias colocadas têm duração de seis meses.Além da marcação das baleias, os pesquisadores registraram som e imagens para aprofundar estudos de bioacústica e foto-identificação. Um dos trabalhos, da pesquisadora em bioacústica de cetáceos Sheila Simão, conseguiu gravar sons de dois animais juntos, possivelmente um macho e um filhote, que sugerem a comunicação entre indivíduos. A análise das informações coletadas serão disponibilizadas em algumas semanas no site www.projetobaleias.com.br, que trará também a posição das baleias marcadas, à medida que os sinais transmitidos indiquem sua rota e posição. Enrico Marone/DivulgaçãoAs baleias vêm à costa brasileira no inverno para se reproduzir

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 14h49

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