Pesquisadores ajudarão Ibama a proteger primatas

O Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, ligado ao Ibama, acaba de instituir um Conselho Científico, formado por reconhecidos especialistas no assunto, para auxiliar na tarefa de proteção das mais de 170 espécies e subespécies de primatas do País. ?Esta equipe se reunirá pelo menos uma vez por ano e poderá ser consultada sempre que necessário, para fornecer subsídios técnicos e científicos para tomada de decisões em relação a projetos de conservação?, disse Marcelo Marcelino, chefe do Centro, localizado em Cadedelo, na Paraíba.Fazem parte do Conselho os pesquisadores Alcides Pissinatti, do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, Adelmar Faria Coimbra Filho, da Academia Brasileira de Ciências, Anthony Brome Rylands, da Conservation International, Stephen Ferrari, da Universidade Federal do Pará, Aldred Langguth, da Universidade Federal da Paraíba, Cláudio Valladares Pádua, do Instituto de Pesquisas Ecológicas, e Júlio César Bicca-Marques, da PUC-RS.Entre os desafios do Conselho, estão questões como as espécies que habitam os fragmentos remanescentes de Mata Atlântica, às vezes pequenos demais para garantir a sobrevivência a longo prazo de muriquis, guigós, sagüis-da-serra e guaribas. Sofrem com este problema também as quatro espécies de micos-leões existentes no país, embora o destino destes esteja sob a responsabilidade de um comitê internacional.Existem casos, porém, em que a presença dos macacos é que é o problema, como nas plantações de pínus no sul do país. Segundo Marcelino, populações de macacos-prego saem de reservas de mata nativa e entram nas plantações para arrancar a casca das árvores para alimentar-se da seiva, que tem sabor doce. ?Ao retirar a cascas do pínus, o macaco-prego faz com que a árvore fique sem proteção, causando prejuízos financeiros aos empresários do setor florestal. E nesse embate, os macacos sempre levam a pior?.Marcelino cita ainda espécies, como o próprio macaco-prego, que sobram nos cativeiros. ?Capturados para o tráfico, muitos deles acabam enjaulados em zoológicos e criadouros, já que não podem mais ser reintroduzidos?, diz. ?Agora, pelo menos, teremos mais cabeças pensando sobre os problemas e propondo novas táticas de ação?.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2002 | 11h30

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