Pesquisadores anunciam avanço em direção a 'leitura da mente'

Cientistas mostraram pela primeira vez que talvez seja possível "ler" a mente de uma pessoa apenas observando a sua atividade cerebral. Usando um scanner moderno para medir o fluxo sanguíneo, pesquisadores britânicos afirmaram na quinta-feira que foram capazes de dizer onde voluntários estavam localizados dentro de um ambiente de realidade virtual gerado por computador. "De forma surpreendente, apenas de olhar os dados do cérebro podíamos predizer onde exatamente eles estavam", disse Eleanor Maguire, do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging, da University College London, a repórteres. "Em outras palavras, nós pudemos 'ler' a memória espacial deles." A descoberta abre a possibilidade de desenvolver máquinas para ler uma série de memórias, embora Maguire tenha dito que o risco de uma leitura da mente "intrusa" ainda está distante. Por outro lado, ela acredita que a descoberta, relatada na revista Cell Biology, ajudará os estudos sobre transtornos da memória, como Alzheimer, ao lançar luz sobre como a região cerebral do hipocampo registra as memórias. Maguire e colegas usaram a tecnologia conhecida como imageamento por ressonância magnética funcional, ou fMRI (na sigla em inglês), e ilumina as regiões do cérebro quando elas são ativadas. Ao escanear o cérebro de pessoas enquanto elas jogavam no computador um jogo de realidade virtual, eles foram capazes de medir a atividade de determinados neurônios no hipocampo, região conhecida por ser essencial para a memória e a navegação espacial. A pesquisa abre caminho para a análise de como outros pensamentos - incluindo memórias mais completas do passado ou visualizações sobre o futuro - são codificadas através dos neurônios. Isso poderia um dia significar o uso de fMRI para exames forenses de uma série de memórias e pensamentos, deflagrando possivelmente uma porção de problemas éticos. Por enquanto, porém, a tecnologia funciona apenas com voluntários e o pesquisador Demis Hassabis disse que levaria ao menos 10 anos para que as aplicações forenses se tornassem uma possibilidade. "Há um longo caminho para que esse tipo de tecnologia seja possível onde você possa ler os pensamentos de alguém numa única e curta sessão, quando eles não querem cooperar", afirmou ele.

BEN HIRSCHLER, REUTERS

12 de março de 2009 | 17h38

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