Pesquisadores brasileiros criam empresa para estudar genoma

Cinco pesquisadores brasileiros conseguiram finalmente realizar um sonho: montar uma empresa para explorar seu conhecimento científico. Não é a primeira vez que isso acontece, mas trata-se de um caso especial. Os pesquisadores em questão trabalham com genoma, uma das áreas científicas mais modernas e na qual o País tem se destacado internacionalmente.E conseguiram fechar um contrato com a Votorantim Ventures, um fundo de capital de risco, que vai aplicar na nova empresa uma quantia pouco comum para padrões nacionais, R$ 30 milhões. O nome da nova empresa, Alellyx Applied Genomics, quase xylella ao contrário, remete às raízes do grupo.Os cinco pesquisadores coordenaram pesquisas do Projeto Genoma no País, que começou com a Xylella fastidiosa. Ela foi fundada por Ana Cláudia Rasera, da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Arruda, João Carlos Setubal, João Paulo Kitajima, da Estadual de Campinas (Unicamp), e Jesus Aparecido Ferro, da Estadual Paulista Júlio de Mesquita (Unesp).A Votorantim também entra como sócia, mas a fatia que cabe a cada um é mantida em segredo. A localização da sede também - contam apenas que deve ficar nas redondezas de Campinas. O grupo continuará a trabalhar com seqüenciamentos. "Nosso forte será a propriedade intelectual, explorar a informação genômica na área agrícola", diz Paulo Arruda.Estão à procura de aplicações práticas, para, como dizem, "aumentar a produtividade, a competitividade e a qualidade de produtos agroindustriais" em cinco culturas: laranja, cana-de-açúcar, eucalipto, uva e soja.A equipe total de pesquisadores será de 40 pessoas. Produtos ou tecnologias devem chegar ao mercado dentro de dois anos. Já existem projetos específicos, mas os sócios também não revelam quais são. As cinco áreas foram escolhidas porque praticamente ainda não existem no mercado soluções derivadas de pesquisas genômicas, para os problemas que afetam esses cultivos, quase todos de relevância para a economia do País.O grupo vai utilizar várias técnicas, como seleção clássica assistida por marcadores e nocaute de genes. "Existe uma plataforma enorme de tecnologias. Não vamos fazer transgênicos", assegura Fernando Reinach, biólogo que se tornou diretor-executivo da Votorantim Ventures, encarregado de prospectar oportunidades de investimentos em ciências da vida, e que no início acumulará a presidência da Alellyx.Um presidente profissional, executivo e não pesquisador, será contratado depois. Os R$ 30 milhões da Votorantim Ventures são suficientes para deixar os sócios da Alellyx tranqüilos. O fundo espera retorno de seu investimento para daqui a sete ou dez anos. Mas nenhuma nova parceria está descartada.Pode ser para fabricar um produto ou comprar informações de terceiros. Ou até mesmo em novos aportes de capital. No Brasil ou no exterior. Para iniciar suas operações, por exemplo, a empresa fechou um acordo com a Sun Microsystems, que faz os equipamentos de bioinformática.

Agencia Estado,

13 de março de 2002 | 20h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.