Pesquisadores criam 1º embrião híbrido britânico

Equipe inseriu DNA humano em um óvulo bovino e pretende retirar células-tronco.

Fergus Walsh, BBC

02 de abril de 2008 | 18h21

Uma equipe de cientistas da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, foi a primeira do país a criar um embrião híbrido depois que o processo foi aprovado, no ano passado, pelo órgão que regula o setor no país.Os pesquisadores inseriram material genético retirado de células humanas no óvulo de uma vaca cujo material genético havia sido previamente removido. Os embriões sobreviveram até três dias e fazem parte de uma pesquisa que pretende retirar as células-tronco para utilizá-las na pesquisa sobre doenças conhecidas por suas causas genéticas, como o mal de Parkinson.Segundo John Burn, da equipe responsável pela pesquisa, o próximo passo é fazer com que os embriões sobrevivam pelo menos seis dias - período necessário para a formação das células-tronco.De acordo com Burn, há necessidade de usar óvulos bovinos já que os humanos estariam em falta com freqüência nas clínicas e nem sempre são de boa qualidade para as pesquisas.Burn ressalta ainda que os embriões híbridos serão utilizados apenas na pesquisa e sua sobrevivência não será permitida além de 14 dias, quando ainda são do tamanho de uma cabeça de alfinete.PermissãoA criação dos embriões híbridos foi autorizada pela Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) em setembro de 2007.Antes da permissão (que se aplica apenas à equipe de Newcastle e a uma outra do King's College, de Londres), os cientistas podiam usar apenas óvulos humanos deixados em clínicas, sobras de tratamentos de fertilização.O processo de criação dos embriões híbridos provocou reações calorosas de várias instituições no Reino Unido. A Igreja Católica, por exemplo, classificou o processo como monstruoso e imoral. Um cardeal chegou a chamar a pesquisa de "experimentos ao estilo Frankenstein".Apesar das críticas, a equipe de pesquisadores argumenta que o trabalho é totalmente ético. "O trabalho é licenciado e foi avaliado com atenção", afirmou Burn. "Trata-se de um processo de laboratório e estamos lidando com células que jamais irão se desenvolver, e esses embriões nunca serão implantados em ninguém." LegislaçãoA autorização do órgão regulador precede a votação de uma lei no Parlamento britânico, agendada para o próximo mês, que vai decidir se a criação dos embriões híbridos para fins de pesquisa será ou não permitida no país. O projeto de lei para a nova legislação é considerado extremamente polêmico. Na semana passada, o primeiro-ministro Gordon Brown permitiu liberdade de voto aos parlamentares no caso. "É difícil imaginar uma lei que ataque de forma tão acentuada a santidade e a dignidade da vida humana como esta em particular", disse o cardeal Keith O'Brien, arcebispo de St. Andrews e Edimburgo, na semana passada. Esta não é a primeira vez que os desenvolvimentos científicos precederam as discussões legislativas na Grã-Bretanha. Para os defensores da pesquisa com embriões, a pesquisa é um passo pequeno, mas importante. Para os oponentes, é um passo que vai longe demais.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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