Tom Parker
Tom Parker

Pesquisadores descobrem estátuas mitológicas na Jordânia

Duas representações da deusa grega Afrodite foram desenterradas na antiga cidade de Petra, capital do Reino Nabateu, anexada ao Império Romano no século 2

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2016 | 20h27

Duas estátuas descobertas na Jordânia poderão trazer novas informações sobre a vida no Reino Nabateu, um estado da antiguidade clássica localizado entre o Sinai e a Península Arábica e anexado ao Império Romano no ano 106.

As duas estátuas que representam a deusa Afrodite, da mitologia grega, foram desenterradas por uma equipe de cientistas e estudantes americanos na Jordânia, na área onde ficava a antiga cidade de Petra, capital do Reino Nabateu, também conhecido como Nabateia.

As duas peças foram desenterradas entre maio e junho, enquanto a equipe de pesquisadores e estudantes escavava estruturas domésticas na região norte de Petra.

O coordenador das escavações, Tom Parker, professor de História da Universidade Estadual da Carolina do Norte, descreveu as obras de arte como "absolutamente primorosas". 

"Eu tenho feito trabalhos de campo no Oriente Médio nos últimos 45 anos e nunca havia feito uma descoberta tão significativa. Essas estátuas são dignas de serem expostas no Museu do Louvre, ou no Museu Metropolitano de Arte", disse Parker.

As estátuas da deusa Afrodite (ou Vênus, na cultura romana), têm cerca de 90 centímetros e provavelmente foram esculpidas no século 2. Elas também incluem uma representação do deus mitológico Cupido e estão intactas do pedestal até os ombros. As cabeças das duas estátuas e a maior parte de suas extremidades superiores também foram resgatadas no sítio arqueológico e serão restauradas, segundo o pesquisador.

As escavações realizadas em 2016 correspondem à terceira temporada do Projeto Norte de Petra, uma iniciativa que tem o objetivo de desvendar pistas sobre a população que não fazia parte da elite da antiga cidade nabateia. Por isso, segundo os pesquisadores, a descoberta das estátuas é tão notável como inesperada.

Segundo Parker, a equipe estava escavando uma área de moradias comuns, quando se deparou com vestígios de uma casa que parecia uma mansão urbana e, segundo Parker, era equipada com uma sala de banhos bastante sofisticada. Os pesquisadores encontraram os fragmentos das estátuas perto da escadaria da casa.

"Embora não fosse exatamente o que estávamos procurando, essa descoberta nos diz muita coisa sobre a população", disse Parker.

De acordo com o historiador, as estátuas de mármore têm estilo romano, fato que revela novas informações sobre o impacto cultural da anexação da Nabateia por Roma no ano 106 d.C., durante o império de Trajano (99 a 117 d.C.).

"Os nabateus eram verdadeiros gênios em vários aspectos, em parte porque eles estavam prontos e dispostos a assimilar e adotar elementos das outras culturas no seu entorno. Eles adquiriram muitas influências da cultura do Egito, quando os egípcios eram seus vizinhos mais importantes.  Quando foram conquistados pelo Império Romano, estavam totalmente abertos à influência romana", explicou Parker.

A equipe de escavação, dirigida por Parker em parceria com a bioarqueóloga Megan Perry, professora de antropologia da Universidade do Leste da Carolina, já encontrou diversos artefatos que são considerados um tesouro arqueológico, por trazerem novas informações sobre a vida cotidiana dos nabateus.

Depois de escavar uma outra estrutura doméstica e três tumbas na rocha, os pesquisadores descobriram instalações utilizadas para cozinhar e armazenar mantimentos, além de utensílios, objetos de cerâmica, ossos de animais, uma espada de ferro, lâmpadas a óleo feitas de cerâmica e ossos humanos misturados a adornos e joias pessoais.

"Os restos humanos e os artefatos mortuários de Petra nos fornecem perspectivas não apenas sobre os conceitos da Nabateia sobre a morte, mas também sobre as histórias biológicas dos nabateus quando eles estavam vivos", declarou Megan.

 

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