Pesquisadores descobrem maior dinossauro do triássico no RS

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) anunciou a descoberta do maior dinossauro terópode (bípede carnívoro) do período triássico da era mesozóica, na terça-feira, em Cachoeira do Sul, na região central do Rio Grande do Sul. O animal media cerca de dois metros de altura por cinco de comprimento, pesava de 350 a 380 quilos e viveu há 230 milhões de anos. "É um grande dinossauro", constata o paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira. "Até agora se pensava que os dinossauros do triássico eram pequenos", relata, referindo-se aos animais até 1,7 metro de altura por 4 metros de comprimento descritos anteriormente. Trata-se também de um dos raros achados correspondentes ao triássico, período que antecede ao dos gigantescos dinossauros de até 11 metros de comprimento do jurássico. Na América do Sul só há descrições de outros quatro dinossauros da mesma época. Dois deles, o guaibasaurus candelariensis e o staurikosaurus pricei viveram no Rio Grande do Sul. O primeiro podia medir 1,5 metro de altura por 3 metros de comprimento e o segundo chegava a 1,6 metros de altura por 4 metros de comprimento. Outros dois, descobertos na Argentina, são o herrerasaurus ischigualastensis, com 1,7 metro de altura por 4 metros de comprimento; e o eoraptor lunensis, com 60 centímetros de altura por 1,2 metro de comprimento. O paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira explica que foi possível definir o tamanho e características do dinossauro graças a um material de ótima qualidade para os padrões exigidos pela pesquisa científica coletado desde o dia 13 de julho deste ano numa localidade do interior do município de São João do Polêsine. A equipe da Ulbra, que também conta com o geólogo Valter Herculano Lisboa, com o técnico em computação gráfica Joni Marcos Fagundes e com o acadêmico de Biologia Lúcio Roberto da Silva, costuma percorrer a região central do Rio Grande do Sul, rica em fósseis, buscando vestígios da era mesozóica. Foram encontradas fossilizadas seis vértebras e oito dentes com cinco centímetros de comprimento e serrilhados nas bordas, características de animais com mordida muito forte, capazes de rasgar ligamentos, além de ossos das patas e dos tornozelos, itens que facilitam a análise que vai possibilitar a projeção do esqueleto e das características do dinossauro a partir da literatura científica. O material ficará sob guarda do Departamento de Paleontologia da Ulbra em Cachoeira do Sul para análises. Depois da publicação de estudos descritivos em revistas especializadas, será aberto à visitação de pesquisadores de todo o mundo. O nome do dinossauro será escolhido em três ou quatro anos. A regra é que inclua o nome de algum cientista reconhecido ou da região onde foi encontrado.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2005 | 01h26

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