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Pesquisadores franceses pedem demissão coletiva

Pelo menos 2.086 cientistas franceses pediram demissão nesta terça-feira, num protesto contra os cortes de recursos governamentais para pesquisas. Cerca de 5 mil foram às ruas de Paris para protestar (foto). A reação é inédita e pegou de surpresa o governo, apesar de os protestos terem começado em janeiro, quando o movimento Vamos Salvar a Pesquisa divulgou um manifesto pela internet.O documento obteve 70 mil assinaturas de apoio. ?O governo subestimou nosso descontentamento?, disse Thierry Letellier, um dos organizadores do movimento. Os pesquisadores afirmam que os cortes farão com que muitos cérebros deixem a França em busca de empregos em países que investem mais na ciência.Corte de vagasOs cientistas se demitiram apenas das funções administrativas, mantendo as atividades nos laboratórios, mas o efeito prático é enorme. Equipes de pesquisadores não podem ir a campo sem que seus chefes tomem decisões adminstrativas, por exemplo.O estopim da crise foi a recente decisão do governo de cortar 550 vagas para estudantes-pesquisadores de tempo integral. Há alguns anos, entretanto, os cientistas vêm apontando a progressiva redução dos recursos para os centros de pesquisa. Só em 2003, a perda de recursos chegou a 10%; e em 2002 os valores ficaram congelados, conforme Alain Trautmann, um biólogo porta-voz do grupo.Sem promessasSegundo o neurobiologista Herve Chneiweiss, citado pelo jornal Liberation, entre 2002 e 2003 os centros de pesquisa tiveram 575 milhões de euros cancelados em seu orçamento e, em 2002, ficaram congelados 359 milhões de euros. Um grupo de renomados cientistas, incluindo dois prêmios Nobel, assinaram documento publicado pelo Le Monde para pedir uma ?profunda revisão em todo sistema de pesquisa científica da França?. Para eles, os pesquisadores estão sub-pagos e sub-valorizados.O primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin disse na sexta-feira que o governo planeja elevar o investimento em pesquisa para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2010, com uma injeção de 3,7 bilhões de euros até o fim da atual legislatura, em 2007. Os cientistas, entretanto, dizem que não aceitam promessas e querem um gesto concreto, agora. Como Raffarin não o fez, a mobilização explodiu.

Agencia Estado,

09 de março de 2004 | 18h00

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