Pesquisadores mostram viabilidade de energias renováveis

O clima e a geografia brasileiros favorecem a utilização, no País, de energias renováveis, como a de biomassa e até de ondas do mar. Esse foi um dos destaques hoje do IV Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial (Simai), que acontece até a amanhã no Expo Center Norte, em São Paulo.Segundo o engenheiro Nelson Parente Júnior, diretor técnico da Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), ?o potencial energético das ondas disponível na costa brasileira é de cerca de 120 milhões de quilowatts (KW), algo em torno de 8 a 10 Itaipus. Desse total, seria razoável utilizar pelo menos 20%?, defende. Através de uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e Fundação Fernando Eduardo Lee, a EBR está desenvolvendo o primeiro projeto para aproveitamento da energia de ondas no País.O projeto piloto deverá ser instalado na Ilha do Arvoredo, em frente à Praia de Pernambuco, no Guarujá, litoral de São Paulo, onde a Fundação Eduardo Lee já mantém fontes de energia eólica e solar. ?A idéia é analisar essas três fontes, com alta disponibilidade no litoral brasileiro, em conjunto?, diz.Parente conta que o aproveitamento da energia das ondas já é utilizado em países como Japão, Noruega e Índia e que as ondas brasileiras, com altura média entre 1,5 a 2,5 metros, são baixas, mas constantes durante todo o ano, o que é uma vantagem para seu aproveitamento. Essa utilização pode ser feita através de bóias de superfície, onde não ocorre arrebentação, ou utilizando as águas submersas, através de vasos comunicantes, levando a energia diretamente para uma fábrica, por exemplo, em regiões de praias. O custo de implantação desses sistemas, conforme o engenheiro, seriam de US$ 2 mil dólares o quilowatt. O projeto experimental no Guarujá está sendo encaminhado para a Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), para entrar em execução.Capim elefanteOutro projeto apresentado foi a utilização da biomassa do capim elefante como fonte energética. Conforme o pesquisador Vicente Mazzarella, do IPT, essa fonte renovável tem o potencial de suprir entre 5% a 10% do consumo energético brasileiro em até dez anos, com uma área plantada de 1.700 mil hectares, 70% da área plantada com cana-de-açúcar somente no Estado de São Paulo. Desenvolvido há três anos, com recursos da Finep, o projeto envolve, além do IPT, o Instituto de Zootecnia, a Embrapa/Rio de Janeiro e a Unicamp.Segundo as pesquisas, a produtividade energética do capim elefante, que cresce 5 metros em um ano, é de quase o dobro da cana-de-açúcar, além de capturar mais carbono. Pode competir também com o eucalipto na produção de carvão. Mazzarella diz que já existem projetos em andamento para sua utilização como lenha em fábricas de cerâmica e como substituto do carvão mineral importado em uma mineradora de minério de ferro. O pesquisador afirma que o capim elefante pode ser usado ainda em usinas termelétricas, diretamente em indústrias e, através do bagaço, na produção de álcool. ?Sua utilização pode diminuir o uso de combustíveis fósseis e ainda criar 500 mil empregos no país?, defende.Co-processamentoOutra tecnologia apresentada foi o co-processamento de resíduos industriais na fabricação de cimento. Segundo Carlos de Oliveira Ávila, gerente geral da Resotec, empresa que utiliza o sistema, os fornos de cimento, além de mais poderosos do que os incineradores comuns, ainda utilizam as cinzas como matéria-prima, reaproveitando os resíduos, que passam a fazer parte do cimento.Ávila explica que grande parte dos resíduos podem ser utilizados no sistema, como pneus, plásticos, químicos e borras ácidas, propiciando ao fornecedor um certificado de destruição térmica, deixando-o em ordem com a legislação ambiental. ?Se todas as fábricas de cimento do país fizessem o co-processamento, resolveríamos o problema de 1,5 milhões de tonelada/ano de resíduos industriais no País?.

Agencia Estado,

24 de outubro de 2002 | 14h49

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