Pesquisadores observam baleias de Bryde

A Laje de Santos, o Arquipélago de Alcatrazes e a Ilha Vitória estão na provável rota de migração da Baleias de Bryde, na costa do estado de São Paulo. Por isso, as três localidades estão incluídas no roteiro do segundo cruzeiro de observação científica da espécie, organizado pela bióloga e oceanógrafa Mabel Augustowski, do Centro de Estudos em Conservação Marinha da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Cemar/SMA) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP). O cruzeiro saiu hoje (8/4), de São Vicente, no litoral paulista, e deve durar 5 ou 6 dias.As baleias de Bryde (Balaenoptera edeni) são muito parecidas com as baleias sei (Balaenoptera borealis), e eram computadas como tal, nas estatísticas de captura, até 1970. Depois disso, continuaram a ser eventualmente confundidas até a moratória mundial de caça às baleias, em 1986. Desde então, formaram-se poucos grupos de pesquisa sobre a espécie, razão pela qual as estimativas de população não são confiáveis e ela está classificada como "insuficientemente conhecida", na lista de fauna ameaçada de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)."Sabemos que elas visitam a zona costeira de São Paulo na primavera e verão, mas não sabemos quantas são, nem conhecemos seu comportamento", explica Mabel Augustowski, que, em janeiro último, conseguiu avistar pelo menos 7 indivíduos, durante a primeira viagem de observação. "Vamos usar novamente as filmagens subaquáticas, que nos pareceram um bom método auxiliar de observação, durante o primeiro cruzeiro, já que as baleias de Bryde não saem muito fora d´água, nem permanecem próximo ao litoral". A partir deste segundo cruzeiro, o Cemar conta com a parceria da Coalizão Internacional da Vida Silvestre - IWC/BRASIL, entidade não governamental também responsável pelos Projetos Baleia Franca e Golfinho Sotalia. A parceria deverá garantir o suporte necessário para a realização dos cruzeiros de observação, cuja logística é complicada, porque as Brydes não migram ao longo da costa, no sentido norte-sul (pólos-zona tropical), mas do litoral para o oceano aberto. "Para nós, a pesquisa científica não se constitui numa finalidade em si, mas sim numa ferramenta social, neste caso, para a conservação e gestão adequada do recurso, já que as Brydes do Sudeste têm efetivo potencial para o turismo de observação", comenta José Truda Palazzo Júnior, presidente da IWC-Brasil. Clique para ver o especial Os segredos das Brydes

Agencia Estado,

08 de abril de 2003 | 15h57

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