Petrobras mostra resultados de sua política ambiental

Três anos depois dos vazamentos de oleodutos na Baía de Guanabara e no Paraná, a Petrobras está na fase final de seu megainvestimento ambiental e garante ter chegado ao patamar das empresas mais capacitadas do mundo para lidar com prevenção e atendimento a acidentes.O Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional (Pegaso), lançado ainda em 2000, investiu R$ 3,8 bilhões e deve chegar a R$ 5,2 bilhões até o final do ano (cerca de US$ 1,8 bilhão), quando entra em sua fase de sustentabilidade.InvestimentosEntre os resultados desse investimento estão a implantação de nove Centros de Defesa Ambiental, certificação ISO 14001 em todas as unidades, 85% dos dutos com supervisão automatizada, 80% de redução de resíduos e preparo humano e material para lidar com acidentes. Essa capacitação está sendo mostrada, nesta quarta-feira e quinta, no 1º Seminário Petrobras de Combate a Emergências em Nível Regional ? Região Sul, que acontece nesses dois dias em Florianópolis (SC).Encontros semelhantes devem ser realizados nas demais regiões do País, com o objetivo de integrar as políticas da empresa às iniciativas governamentais ligadas à área, como defesa civil e autoridades ambientais.Divisor de águas"O acidente da Baía de Guanabara foi um divisor de águas e acabou sendo uma experiência positiva para a Petrobras. Desde 2000, nossa capacidade de resposta aumentou muito e estamos próximos ao estado da arte em equipamentos e pessoal treinado, nas áreas de contingência, prevenção e gestão, com 4 mil projetos em andamento em todo o sistema Petrobras", diz Ricardo Santos Azevedo, gerente-geral de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da empresa.Recentemente aprovada, a política da Petrobras de segurança, saúde e meio ambiente tem como base a integração das gestões de negócios com os padrões de excelência ambientais, com uma atuação focada no comportamento humano, ou seja, de educação de todos os funcionários do grupo. Essa nova fase, complementar ao Pegaso, inclui diagnósticos específicos e projetos para cada unidade. O processo, previsto para terminar em 2007, demandará mais US$ 1 bilhão.Automatização"Acredito que nenhuma empresa no mundo tenha investido tanto na área de prevenção de acidentes quanto nós em tão pouco tempo", avalia Azevedo. Para ele, se os vazamentos da Guanabara e do Paraná tivessem acontecido hoje, as conseqüências teriam sido muito menores. Uma das maiores críticas feitas na época do vazamento que atingiu o Rio Iguaçu foi a falta de automação do duto, que impediu a detecção rápida do problema, o que não aconteceria hoje."Nossa meta era automatizar todos os dutos até o final de 2002, mas chegamos a 85% porque o mercado não conseguiu suprir os equipamentos. Devemos atingir os 100% até o final do ano."Como exemplo da eficiência do sistema implantado pela empresa, o gerente cita um incêndio no Terminal de São Sebastião, em São Paulo, no ano passado. "Não caiu uma gota de óleo no mar, e o dano ambiental foi praticamente zero", afirma. Por conta disso, a imagem da empresa tem mudado e já começa a ser reconhecida por sua capacidade em situações de emergência, sendo acionada pelo Ibama quando acontecem acidentes ambientais, como a recente contaminação no Rio Paraíba do Sul, em Minas Gerais e Rio de Janeiro .O sistema implantado pela Petrobras em seus nove Centros de Defesa Ambiental (CDAs) espalhados pelo País tem por trás a atuação da empresa Alpina Briggs Defesa Ambiental, especializada em vazamentos de óleo, fornecedora dos equipamentos e treinamento de pessoal.Segundo Amarildo Araújo da Silva, gerente de Base do CDA ? Sul, hoje a Petrobras está prepara para enfrentar qualquer tipo de acidente com óleo. Para ele, se o naufrágio do navio Prestige, que afetou as costas de Espanha, Portugal e França, tivesse acontecido no Brasil, o óleo não teria chegado à praia.EquipamentosSilva afirma que 95% dos equipamentos utilizados são para trabalhar sobre a água, onde acontecem os maiores vazamentos. "Na terra é mais fácil isolar a área e fazer a recuperação do solo, mas na água é mais difícil. O importante não é a quantidade de óleo que vaza, mas evitar que se espalhe", diz.Para tanto, os CDAs contam com barreiras (próprias para lagos, rios ou oceanos), captadores de óleo (skimmers) e mantas absorventes, além de sistemas dispersantes (químicos), que só podem ser usados em mar aberto. Conta ainda com embarcações recolhedoras do óleo e um sistema de barcos, helicópteros e aviões à disposição. "Somente nos Estados Unidos há empresas com essa sofisticação para combate à poluição por óleo", afirma.Todo esse aparato, no entanto, não conseguiu evitar acidentes importantes, como a plataforma P-36, que afundou no Rio de Janeiro, o vazamento de nafta do navio Norma, em Paranaguá, no Paraná, e o vazamento do oleoduto Olapa, também no Paraná. Segundo Silva, porém, caso não houvesse o programa, as conseqüências teriam sido muito maiores. "No caso de Olapa, o óleo atingiu a serra e a Baía de Antonina, e tivemos que empregar diversas tecnologias (em serra, rio, cachoeira e baía), para evitar que o óleo chegasse ao mangue" , disse.

Agencia Estado,

20 de maio de 2003 | 19h02

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