Petrobrás também contaminou a Vila Carioca

A área da Vila Carioca, zona sul da cidade, não foi contaminada só por metais pesados e pesticidas que vazaram da distribuidora de combustível da Shell. A Distribuidora BR, da Petrobrás, que mantém um cemitério de tanques há mais de 20 anos na rua Visconde de Camamu, também tem responsabilidade na contaminação do solo e do lençol freático. A afirmação é vereador Jooji Hato, do PMDB, que é o presidente da CPI dos Postos de Combustível da câmara. E mais: ainda segundo o vereador Hato, a denúncia foi feita há três anos. "Mas o problema", completa o perito criminal da CPI, Gastão Grecie, "não foi investigado com a devida atenção". A maior causa da contaminação, no caso do cemitério, é a borra de combustível, que é formada no fundo dos mais de mil tanques depositados no local, por resíduos de hidrocarbonato e metais pesados de combustível. Algumas destas substâncias podem ter contaminado o lençol freático, além de serem cancerígenas. Os tanques de combustível têm uma vida útil média de 10 anos. Após este período, devem ser desgaseificados, amassados para não serem reutilizados e limpos para retirar a borra. A borra deve ainda deve ser queimada e jogada em local apropriado e a água usada para limpeza tem que ser encaminhada para tratamento na Sabesp. Como não são guardados da forma correta, os tanques acabam se abrindo, liberando os detritos que penetram no solo. O supervisor da distribuidora BR, Gilberto de Oliveira, disse ao vereador que os tanques estão armazenados desde setembro, mas o estado em que se encontram, desmentem a afirmação. "Na parte baixa do cemitério existem tanques que já estão cobertos pelo mato", contou Hato. Os moradores vizinhos à distribuidora ficaram preocupados com a nova situação. A estudante Vadiléia Avelar, de 18 anos, que mudou para o bairro há cinco meses, não esconde: sente medo de estar contaminada de alguma forma. "Desde os primeiros dias, senti um cheiro forte de gasolina". Já o vendedor Wenderson Jonatas Araújo dos Santos, de 19, que mora na Vila Carioca há seis anos, logo que ficou sabendo da contaminação pela Shell, sentiu um gosto estranho na água e tem medo que a família seja afetada por alguma doença.

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