PF prendeu pelo menos 95 na Operação Curupira

Pelo menos 95 pessoas acusadas de integrar a maior quadrilha que praticava crimes ambientais no País já foram presas e estão sendo levadas para Cuiabá. A operação ocorre em 16 municípios de Mato Grosso, Distrito Federal e mais seis Estados.A ação faz parte de uma ofensiva do governo e do Ministério Público Federal (MPF) contra o desmatamento na Amazônia. Em Mato Grosso, 450 policiais participaram das prisões e das buscas e apreensões.Os bens de todos os envolvidos - funcionários públicos, madeireiros e despachantes - estão indisponíveis, por determinação do juiz da 1.ª Vara Federal de Cuiabá, Julier Sebastião da Silva. A madeira retirada da Amazônia rendeu à quadrilha R$ 890 milhões.O procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio de Avelar, disse que os responsáveis pelo desmatamento em Mato Grosso devem ser punidos. Ele revelou que há indícios de fraudes na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema)."Nós temos dois depoimentos que apontam o comércio de licenças ambientais no órgão. O Estado de Mato Grosso tem números assustadores, vergonhosos, de desmatamento. Alguém tem que responder por isso", disse Avelar."Há décadas"Em entrevista coletiva, o procurador afirmou que os principais beneficiados pelo esquema de corrupção no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fema são pessoas que estão há décadas devastando o meio ambiente em proveito próprio."O Ibama é apenas uma peça de uma organização criminosa, comandada por pessoas que estão aí há 20 anos, enriquecendo a custa de um patrimônio que é de todos", disse o procurador.A Operação Curupira começou a ser montada há nove meses. Foram presos madeireiros e funcionários do Ibama no Distrito Federal e em seis estados - Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Pará, Paraná e Santa Catarina. Entre acusados, foram detidos o gerente-executivo do Ibama em Cuiabá, Hugo José Werle e o secretário especial de Meio Ambiente de Mato Grosso, Moacir Pires.PerdaSó para recuperar a área devastada pela "máfia da madeira", uma das maiores do País, o MPF, Polícia Federal e Ibama calculam que serão necessários R$ 108 milhões. A quadrilha teria desmatado 43 mil hectares - o equivalente a 52 mil campos de futebol - na Amazônia para retirar, ilegalmente, 1,9 milhão de metros cúbicos de madeira.A madeira retirada dessa área tinha como destino a Europa e daria para encher 66 mil caminhões que, enfileirados, ocupariam 2.380 quilômetros, distância entre Salvador e Curitiba.   estatísticas sobre florestas

Agencia Estado,

03 de junho de 2005 | 15h47

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