Phoenix enche forno e pode começar análise de solo marciano

Propriedades do solo marciano intrigam cientistas, que não conseguiram criar um similar em laboratório

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

11 de junho de 2008 | 16h28

Pondo fim a um suspense que já durava dias, a sonda Phoenix, da Nasa, finalmente conseguiu encher de terra um dos fornos projetados para analisar a composição do solo marciano. O feito, registrado no início desta manhã pela Universidade do Arizona, que controla a parte científica da missão, foi celebrado pelos cientistas do projeto com dança e música.   Veja também: Galeria de imagens da sonda Phoenix em Marte Teste seus conhecimentos sobre o Planeta Vermelho   "O solo dessa região de Marte é muito diferente do que esperávamos, e de todas as simulações que conseguimos fazer até agora", disse o principal pesquisador da Phoenix, Peter Smith, em entrevista coletiva. "Ele forma aglomerados muito coesos, e chegou a grudar no instrumento. Não sabemos se a adesão foi química ou eletrostática, e estamos muito interessados em descobrir as propriedades desse solo".   A Phoenix é a primeira sonda a pousar perto do pólo norte de Marte.   "Não conseguimos criar nada assim no laboratório", afirmou  Bill Boynton, o cientista responsável pelo instrumento do qual os fornos fazem parte, o Tega. Já Smith disse acreditar que um solo semelhante deve existir em alguma parte da Terra. "Acho que poderemos encontrar exemplos, assim que soubermos do que se trata". Diante da insistência dos jornalistas para explicar melhor as propriedades misteriosas do solo marciano, os cientistas resumiram em uma palavra: "Grudento".   O braço robótico da Phoenix havia depositado uma quantidade de solo marciano sobre um dos oito fornos da sonda na última sexta-feira, 6, mas a amostra surpreendeu os cientistas ao não atravessar a tela protetora que recobre o instrumento.   Desde então, os controladores da missão vinham sacudindo as amostras, para tentar desmanchar os aglomerados densos. A idéia finalmente funcionou na noite de terça-feira e, pela manhã, a equipe na Terra recebeu a informação de que o forno estava cheio, o que foi comemorado pelos cientistas com gritos, canto e dança numa reunião realizada horas depois, de acordo com a descrição dada na entrevista.   Smith e Boynton dizem que o preenchimento súbito do forno pode ter sido causado por uma combinação do chacoalhar da sonda e da desidratação da amostra, que ficou exposta ao ar marciano por vários dias. "Mas agora temos uma técnica para vibrar e dispersar as amostras futuras rapidamente", disse Boynton, afirmando que não será preciso desidratar cada torrão de solo marciano antes de colocá-lo nos fornos. "Estou otimista de que conseguiremos medir quanta água há no solo".   Boynton diz que o forno deverá ser fechado ainda nesta semana, e depois passará cinco dias aquecendo a amostra a diferentes temperaturas, para captar e analisar os gases liberados, em busca de sinais de água e de matéria orgânica. "Deverá levar cerca de uma semana para termos os primeiros resultados, e várias semanas antes de termos os dados científicos mais precisos", disse ele.   Outra amostra de solo foi espalhada pelo braço robótico da Phoenix para ser analisada pelo microscópio da sonda. A Nasa espera ter as primeiras imagens feitas por esse instrumento nesta quinta-feira, 12.

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