Phoenix trabalha 33 horas sem parar antes de teste crucial

Próximo exame de amostra de solo marciano nos fornos do equipamento poderá ser o último

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

23 de julho de 2008 | 14h29

Preparando-se para a que poderá ser sua última oportunidade de examinar uma amostra de solo marciano em busca de matéria orgânica, a sonda Phoenix, da Nasa, concluiu na terça-feira, 22, seu maior turno de trabalho até agora: 33 horas de atividade contínua, envolvendo testes para a coleta de amostras pelo braço robô e observações da atmosfera marciana, coordenadas com a atividade da sonda orbital Mars Reconnaissance Orbiter (MRO).   "Nossa raspagem de ontem dos deu confiança suficiente para planejar o próximo uso da lima na obteção de uma amostra para ser colocada no Tega", disse, em nota divulgada pela agência espacial, o gerente de projeto da Phoenix no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, Barry Goldstein. "Tega" é o nome no instrumento da Phoenix que usa fornos para aquecer amostras de solo, liberando gases que têm sua composição química analisada.   O braço robô da sonda possui uma lima elétrica que está sendo usada para desbastar o solo congelado no fundo de uma vala já escava pela sonda e apelidada de "Branca de Neve".   A Phoenix sofreu um curto-circuito, semanas atrás, em um dos oito fornos que compõem o Tega. Pesquisadores temem que outra falha elétrica venha a inutilizar o instrumento, e a saída encontrada foi acelerar a missão, passando por cima dos planos de realizar uma série lenta e gradual de experimentos com os fornos e partir direto para a análise de raspas de solo congelado.   "Tem um fio solto lá, dando curto", explica o cientista brasileiro Nilton Rennó, líder de uma das equipes científicas da missão Phoenix. "Por isso é muito importante prosseguir com cuidado". Rennó explica que colocar a amostra de gelo no forno "não é trivial", porque é preciso agir rápido o bastante para evitar que que gelo sublime, além de também tomar precauções para que o material não derreta e volte a congelar em contato com a tela de proteção do forno, o que acabaria, efetivamente, lacrando o instrumento.   Ciência em Marte, além dos fornos   Além do Tega e do equipamento para análises da atmosfera, a Phoenix possui um laboratório de análises químicas para estudar amostras de solo dissolvidas em água, e dois microscópios. Segundo Rennó, estão sendo feitos preparativos para usar o microscópio mais potente para analisar partículas suspensas na atmosfera. A "lama" produzida no solo marciano pelo calor dos jatos usados pela Phoenix para pousar também está atraindo a atenção dos pesquisadores, segundo o brasileiro.   A sonda chegou a Marte no final de maio. Ela foi a primeira a pousar na região ártica do planeta, e representa a segunda missão na Nasa enviada a Marte para buscar sinais de matéria orgânica - a primeira, composta por duas sondas, Viking 1 e Viking 2, ocorreu nos anos 70 e teve resultados inconclusivos.   Os resultados iniciais da Phoenix revelaram que o solo marciano contém uma série de nutrientes minerais, como potássio e sódio, mas os exames não detectaram moléculas orgânicas, as peças fundamentais da vida.

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