Pingüins invadem o litoral sul de São Paulo

Embora pareça estranho, encontrar pingüins, lobos-marinhos e leões-marinhos no litoral de São Paulo é um fenômeno comum durante o inverno. Esses animais são visitantes, vindos do Pólo Sul, seguindo a corrente das Malvinas, que nesta época fica mais forte que as correntes quentes que vêm do norte. O normal seria que chegassem, descansassem e voltassem para casa. No entanto, a grande quantidade de óleo despejada no oceano pela lavagem dos tanques dos navios faz com que, principalmente os pingüins, cheguem muito debilitados às praias e, mesmo que sobrevivam, não tenham condições de prosseguir viagem.Segundo Daniele Paludo, oceanógrafa da Estação Ecológica dos Tupiniquins, do Ibama, no Vale do Ribeira (litoral sul de São Paulo), explica que o óleo gruda nos animais, fazendo com que percam sua proteção térmica e fiquem com frio. "Muitos chegam vivos à praia e as pessoas, pensando ajudar, os colocam na geladeira, fazendo com que morram de pneumonia. O correto é esquentá-los o mais rápido possível", explica."Não sabemos exatamente porque os pingüins, a maior parte jovens e da espécie magalhães, vêm para cá. Uma das teorias é que seria uma dispersão natural", diz. A oceanógrafa conta que todos chegam sujos de óleo. "Depois de uma frente fria, é impressionante o número que aparece, sobretudo em Ilha Comprida".A recomendação do Ibama é que, no caso de lobos e leões marinhos, a população os deixe um pouco na praia, pois, na maior parte das vezes, voltam sozinhos ao mar. Quando isso não ocorre, como no caso dos pingüins, são capturados, limpos e encaminhados para o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, onde existe uma estrutura "quebra-galho" para atender aos animais."Temos uma parceria com o Parque Estadual, que conta com tanques com bomba para captar água do mar e, neste ano, com uma equipe de veterinários da Universidade Santo Amaro". A capacidade de abrigar os animais, no entanto, é limitada. Na semana passada, eram 14 pingüins e cinco lobos marinhos. Um lobo marinho foi solto na Ilha do Castilho e um pingüim permanecia na sede do Ibama, em Iguape, a espera de lugar. Na segunda-feira, alguns pingüins foram entregues ao Zoológico de São Paulo e liberaram algumas vagas.Segundo Daniele, a soltura dos lobos-marinhos é tranqüila. "Geralmente, quando estão reabilitados, vão embora. No caso dos pingüins, temos dúvidas. No ano passado, apareceram vários pingüins em janeiro e acreditamos que eram animais soltos no mar depois que a corrente fria já tinha ido embora", diz. Uma alternativa, que está sendo estudada pelos especialistas, é reunir todos os pingüins encontrados no litoral e soltá-los juntos no fim do inverno mais para o sul, em Rio Grande (RS), para aumentar as chances de eles voltarem para seu local de origem.Embora não existam levantamentos, o biólogo Clodoaldo Gazzetta, da Fundação SOS Mata Atlântica, acredita que a quantidade desses animais no Vale do Ribeira tem aumentado a cada ano. "Estou há oito anos em Iguape e cada vez aparecem mais. No ano passado, foram mais de mil pingüins na região, a grande maioria mortos". A oceanógrafa do Ibama explica que a quantidade desses animais no litoral varia de ano para ano. "Estamos iniciando um projeto para monitorar e tentar relacionar as aparições com as condições climáticas", diz.

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