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Planeta deverá chegar a 11 bilhões de habitantes em 2100, diz estudo

Estudo publicado na Science revê estimativas da ONU, que previam estabilização em 9 bilhões após 2050. África terá 4 bilhões

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 18h45

Ao contrário do que previam os especialistas em demografia, a população mundial deverá crescer sem parar até o fim do século 21. Com a aplicação de ferramentas estatísticas sofisticadas, um novo estudo indica que o planeta tem alta probabilidade de chegar ao ano de 2100 com 11 bilhões de habitantes - dois bilhões a mais do que as estimativas anteriores. De acordo com a pesquisa, publicada nesta quinta-feira, 18, na revista Science, a maior parte da explosão populacional ocorrerá na África, que poderá quadruplicar sua população e chegar ao fim do século com 4 bilhões de pessoas.

O estudo também prevê que, em 2100, a população do Brasil estará mais envelhecida que a população atual do Japão.

Originalmente, esperava-se que a população do planeta - com 7,2 bilhões de habitantes atualmente - atingiria um pico de 9 bilhões em 2050, para depois se estabilizar, ou até mesmo declinar. Mas o novo estudo coordenado pela Universidade de Washington e pela Organização das Nações Unidas (ONU), revela uma probabilidade de 80% de que a população mundial aumente para um número entre 9,6 e 12,3 bilhões de habitantes até 2100.


De acordo com um dos autores do estudo, Adrian Raftery, da Universidade de Washington, o artigo analisa os dados mais recentes da ONU sobre população mundial, publicados em julho. "Aquele foi o primeiro relatório populacional oficial da ONU a empregar a metodologia conhecida como probabilidade bayesiana, que combina todo tipo de informação disponível para gerar previsões com margens de erro muito menores", disse Raftery. 

Segundo Raftery, antes os relatórios se baseavam em cenários, que não permitiam considerar tantas nuances. "Sem considerar probabilidades, os cenários tinham 50% de chance de levar a conclusões erradas. Usando inferências estatísticas, pudemos estreitar a gama de resultados possíveis - o que será útil para a discussão de políticas públicas", explicou. O estudo indica uma probabilidade de 70% de que a população mundial não se estabilize neste século. "Isso coloca a questão populacional de volta como prioridade na agenda internacional", declarou.

O estudo mostrou que a África, hoje com um bilhão de habitantes, tem 80% de chances de chegar ao fim do século com população entre 3,5 e 5,1 bilhões de pessoas. "A principal razão para isso é que as taxas de natalidade na África Subsaariana não têm caído tão rápido quanto se previa", disse Raftery. 

As mudanças nos outros continentes são menores, de acordo com as novas estimativas. A Ásia, hoje com 4,4 bilhões, deverá ter um pico de 5 bilhões em 2050, para começar a declinar depois disso. A América do Norte e a Europa deverão ficar com menos de um bilhão de habitantes cada. A população da América do Sul deverá chegar a 467 milhões de habitantes em 2100, de acordo com o estudo. No conjunto da América Latina e Caribe, a previsão é de 736 milhões de habitantes até o fim do século.

Envelhecimento. Outro aspecto considerado no estudo foi o provável nível de envelhecimento da população em diferentes países. A medida usada para isso é a taxa PSR (Potential Support Ratio), que consiste na razão entre a população economicamente ativa - de 20 a 64 anos - e o número de pessoas com mais de 65 anos. Quanto mais baixa a taxa PSR, mais envelhecida a população.  

O estudo prevê que a população brasileira, em 2100, estará mais envelhecida que a população atual do Japão. A taxa PSR do Brasil, que atualmente é de 8,6, cairá até o fim do século para 1,5. Atualmente, a taxa PSR mais baixa do mundo é a japonesa, com 2,6. De acordo com o artigo, o único país que terá taxa PSR acima de 3 no fim do século é a Nigéria, que passará do índice atual de 15,8 para 5,4.



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