NASA / JPL-Caltech
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Planetas, buraco negro e água em Marte; veja outras descobertas da Astronomia nos últimos anos

Imagem de buraco negro e vida fora do sistema solar estão entre os achados recentes na área

Larissa Gaspar, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 17h49

Foi anunciado por cientistas americanos a descoberta da presença do gás fosfina na atmosfera de Vênus, o planeta mais próximo da Terra - a presença do composto é considerada um indício de que possa existir vida no planeta. Além desta descoberta, a comunicação com marte, a chegada à Lua, o alinhamento de Vênus e o status de Plutão como planeta anão são alguns exemplos de descobertas da Astronomia que fizeram parte da cobertura do Estadão

Confira outras descobertas que movimentaram o campo nos últimos anos.  

Vida fora do sistema solar - 2017 

A equipe de pesquisas do telescópio espacial Kepler, da Nasa, anunciou que 219 novos candidatos a planetas foram catalogados, sendo que 10 deles têm tamanho semelhante ao da Terra e estão na chamada zona habitável. Os cientistas afirmam que o catálogo servirá como fundamento para mais estudos que possam estimar a quantidade de planetas na Via Láctea. 

Buraco negro maior que o sol - 2020

Descrito por uma equipe internacional de mais de 1,5 mil cientistas, o "GW190521" é o buraco negro mais massivo já detectado por ondas gravitacionais. Ele é provavelmente o resultado da fusão de dois outros buracos negro e tem uma massa 142 vezes maior que a do Sol. 

Esta é a primeira prova direta da existência de buracos negros de massa intermediária (entre 100 e 100 mil vezes mais massivos que o Sol) e poderia explicar um dos enigmas da cosmologia, ou seja, a formação desses objetos presentes em várias galáxias, incluindo a Via Láctea.

Primeira imagem de um buraco negro - 2019

Em 2019, pesquisadores do Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT, na sigla em inglês), anunciaram os resultados da primeira observação direta de um buraco negro, um dos fenômenos mais enigmáticos do universo. A imagem mostra um círculo escuro no meio de um disco resplandecente, do coração da galáxia gigante M87, a 55 milhões de anos-luz daqui.

A observação utilizou a capacidade combinada de oito observatórios situados em algumas das regiões mais inóspitas do planeta, como o deserto do Atacama, o topo de um vulcão dormente no Havaí, e até mesmo o polo Sul. A massa do buraco negro central de M87 é 6,4 bilhões de massas solares. A existência desse buraco negro é investigada há mais de 25 anos, como mostra o Acervo Estadão.

Água em Marte - 2018 

Em 2018, um grupo europeu liderado por cientistas italianos detectou um grande lago de água líquida sob as calotas de gelo polar em Marte. Foi a primeira vez que um grande reservatório de água líquida foi identificado no Planeta Vermelho. A presença de água congelada já havia sido comprovada há anos, mas a água líquida é considerada pelos cientistas como uma condição indispensável para a existência de vida em um planeta. 

Como a temperatura média em Marte é de cerca de 60°C negativos, seria de se esperar que a água no planeta estivesse congelada. Mas, segundo Orosei, sabe-se também que as rochas marcianas contêm sais de magnésio, cálcio e sódio, que, dissolvidos na água, formam uma espécie de salmoura. Essa condição, associada à pressão produzida pela cobertura de gelo, permitiria que a água do lago permanecesse em estado líquido.

A nova descoberta aumenta as probabilidades de que formas microscópicas de vida existam ou tenham existido em Marte.

Solo em Marte - 2012

Ainda sobre Marte, a Sonda Curiosity enviada pela agência espacial americana Nasa a Marte, em 2012, descobriu que o solo do planeta é semelhante ao do Havaí. Após uma viagem de oito meses e 566 milhões de quilômetros, a sonda tocou a tênue atmosfera marciana a quase 21 mil quilômetros por hora. 

O objetivo da missão espacial era encontrar pistas sobre a história geológica recente do planeta, composto por materiais basálticos de origem vulcânica  Foi a primeira vez que a Nasa conseguiu usar uma técnica chamada de difração de raio-X remotamente, em outro planeta.

5ª lua de Plutão - 2012

Em meados de 2012, o telescópio espacial Hubble descobriu uma quinta lua que orbita ao redor de Plutão. Nomeada P5, a quinta lua conhecida de Plutão tem forma irregular e dimensão de 10 a 25 quilômetros com uma órbita circular de aproximadamente 93 mil quilômetros ao redor do astro.

Os cientistas ficaram surpresos com a complexidade do sistema de um planeta anão e gelado como Plutão, com órbitas "cuidadosamente dispostas, um pouco como se fossem bonecas russas". A teoria que prevalece é que as cinco luas de Plutão seriam resultado de um impacto entre o planeta anão e um corpo celeste do cinturão de Kuiper há bilhões de anos.

Planeta-anão - 2016/2012

Em 2016, uma equipe internacional de astrônomos anunciou a descoberta de um planeta-anão no Sistema Solar cuja órbita tem seu ponto mais distante a 19 bilhões de quilômetros do Sol. Batizado de forma provisória como RR245, o planeta tem um diâmetro de cerca de 700 quilômetros e uma das maiores órbitas para um planeta-anão.

Quatro anos antes, astrônomos fizeram a observação mais detalhada do planeta-anão Makemake e descobriram que ele, ao contrário do que se esperava, não tem atmosfera. O planeta-anão é uma bola de gelo que orbita o Sol muito além da órbita de Netuno. Ele foi descoberto em 2005, mas pouco se sabia a seu respeito. Até que, no dia 23 de abril de 2011, pesquisadores de 12 observatórios (5 deles no Brasil) resolveram apontar seus telescópios para ele. 

Bolhas gigantescas no Sistema Solar - 2011

As sondas espaciais Voyager 1 e 2 enviaram notícias sobre bolhas localizadas no Sistema Solar a 14,5 bilhões de quilômetros de distância da Terra. Elas são tão grandes que as naves precisariam de semanas para atravessar apenas uma bolha.

As bolhas são um efeito de campo magnético do Sol quando atinge a borda do Sistema Solar. As bolhas magnéticas parecem ser nossa primeira linha de defesa contra os raios cósmicos. 

Planeta quente como as estrelas - 2017

Em 2017, cientistas descobriram o exoplaneta gigante mais quente já registrado. Com temperaturas que superam os 4,3 mil graus Celsius, o novo exoplaneta – como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar – é mais quente que a maioria das estrelas e apenas mil graus Celsius mais frio que o Sol.

Com uma massa 2,8 vezes maior que a de Júpiter, o exoplaneta tem apenas a metade de sua massa, pois que sua atmosfera incha como um balão, segundo os cientistas.

Água na Lua - 2009 

No final de 2009, a Nasa anunciou que descobriu grande quantidade de água na Lua. A agência espacial lançou um foguete e logo depois com uma sonda em uma cratera perto do polo sul lunar. Os cientistas da Nasa disseram que os instrumentos detectaram a água em uma coluna de detritos criada após as colisões.

Estrelas de nêutrons x buraco negro - 2020 

Em junho de 2020, cientistas anunciaram a descoberta de um objeto astronômico inédito: e uma estrela de nêutrons negra, que, até então, não se imaginava ser possível de existir. Os instrumentos detectaram a colisão de um buraco negro com massa 23 vezes maior do que a do Sol com outro objeto, que tinha 2,6 massas solares.   

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