Planetas com órbitas inclinadas desafiam teorias

Interações gravitacionais criaram uma estranha órbita inclinada em 30 graus

estadao.com.br

24 Maio 2010 | 18h48

O sistema de Upsilon Andromedae, de acordo com as descobertas recentes. Divulgação

 

Astrônomos informam a descoberta de um sistema planetário fora dos eixos, onde a órbita de dois dos planetas estão num ângulo bem inclinado. Essa descoberta dever ter impacto nas teorias de como evoluem os sistemas compostos por vários planetas, e mostra que eventos violentos podem acontecer para perturbar órbitas mesmo depois de o sistema estar formado, de acordo com os autores.

 

"As descobertas significam que estudos futuros de sistemas exoplanetários serão mais complicados. Os astrônomos não podem mais presumir que todos os planetas orbitam a estrela num mesmo plano", disse Barbara McArthur, do Observatório McDonald da Universidade do Texas

 

A equipe dela usou o Telescópio Espacial Hubble, o Telescópio Hobby-Eberly e outros telescópios baseados no solo, combinados com modelos teóricos, para descobrir dados a respeito do sistema que orbita a estrela Upsilon Andromedae. Os resultados estão sendo apresentados na reunião da Sociedade Americana de Astronomia, realizada em Miami. O trabalho será publicado no Astrophysical Journal.

 

Há mais de dez anos que os astrônomos sabem que três planetas do tamanho de Júpiter orbitam a estrela, semelhante ao Sol e a 44 anos-luz. Ela é um pouco mais jovem, brilhante e tem mais massa que o Sol.

 

Combinando os dados de vários telescópios, a equipe de Barbara determinou a massa de dois dos planetas, Upsilon Andromedae c e d. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi a descoberta de que nem todos os planetas estão no mesmo plano. As órbitas de c e d estão inclinadas em 30º em relação uma à outra. A equipe descobriu ainda um quarto planeta, muito mais distante da estrela.

 

"Muito provavelmente Upsilon Andromedae teve o mesmo processo de formação que o nosso sistema, embora possam ter ocorrido diferenças nos estágios finais e que semearam essa evolução divergente", disse ela. "A premissa da evolução planetária, até agora,  tem sido de que sistemas planetários formam-se no disco e se mantêm relativamente coplanares, como o nosso, mas agora temos a medição de um ângulo significativo entre esses planetas, o que indica que este não é sempre o caso".

 

A teoria convencional é de que uma grande nuvem de gás se contrai para formar a estrela, e que os planetas são um produto natural das sobras, que ficam num disco de material. Os planetas, como no caso do nosso  sistema solar, continuariam praticamente no mesmo plano definido pelo disco original.

 

Diversos cenários gravitacionais poderiam ter causado a inclinação notável em Upsilon Andromedae, incluindo interações durante a migração de um planeta para mais perto da estrela, perturbações causadas por uma outra estrela ou a expulsão de um planeta para fora do sistema.

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