Plutão passa a integrar nova categoria de astro, os plutóides

A atitude dos astrônomos torna Plutão mais importante, sendo 'protótipo de objetos fascinantes'

AP

11 de junho de 2008 | 18h22

Plutão está finalmente conseguindo seu dia ao sol, após ter sido privado de seu status planetário pelos astrônomos, há dois anos. De agora em diante, todos os objetos similares distantes no sistema solar serão chamados "plutóides". Essa decisão foi tomada pela União Astronômica Internacional, que se reuniu semana passada em Oslo, Noruega, e anunciou a nova nomenclatura nesta quarta-feira, 11.  Esse mesmo grupo criou uma confusão cósmica quando rebaixou o ex-nono planeta do sistema solar ao status de "anão" em 2006. A nova política permite que Plutão seja o padrão para uma nova categoria de planetas-anões.  Plutão é um dos únicos dois plutóides, o outro sendo Eris. Ambos são objetos que circundam o Sol e são pequenos demais para serem considerados planetas, mas grandes o suficiente para terem um nível de gravidade que os mantêm em uma forma quase esférica. Plutóides também devem estar mais longe do Sol que Netuno. Foi a descoberta de Eris em 2003 - um corpo maior e mais distante do Sol que Plutão - que eventualmente levou ao rebaixamento deste. No entanto, os astrônomos esperam que mais plutóides sejam descobertos no futuro.  Quando Plutão foi rebaixado, a união astronômica já planejava nomear a nova categoria de objetos com seu nome, mas teve que achar a maneira certa, disse a presidente da IAU Catherine Cesarsky, uma astrofísica francesa. A primeira opção, plúton, já era usada por geólogos. A atitude dos astrônomos torna Plutão mais importante, disse Cesarsky. Ao invés de ser um "pequeno" planeta distante, Plutão é agora um "protótipo de um novo tipo de objetos fascinantes." "Isso não passa facilmente pela língua", disse Mike Brown, astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia que descobriu Eris. "Talvez sobreviva." A nova nomenclatura não foi suficiente para satisfazer o advogado da causa Plutão-como-um-planeta, Alan Stern, ex-chefe dos cientistas espaciais da Nasa e investigador principal em uma missão a Plutão. Stern disse que um grupo rival poderia ser formado para se contrapor à IAU, que ele acusa de tomar decisões com pouca transparência.  "São só algumas pessoas em uma sala cheia de fumaça que sonharam isso", disse. "Plutóides ou 'hemorróidas', como eles quiserem chamar. É irrelevante."  Outro cientista que apóia Plutão ficou pelo menos parcialmente satisfeito. "Estão indo na direção certa", riu Ralph McNutt, cientista planetário na Universidade Johns Hopkins. "Eu ainda preferiria que ele fosse conhecido apenas como planeta."  "Eu cresci com nove planetas, me desculpe", disse.  Para vocês em casa que estão marcando o placar, o sistema solar está agora com oito planetas e dois plutóides.

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