Poços irregulares ameaçam a saúde e os aqüíferos

O risco permanente de racionamento de água na região metropolitana de São Paulo fez crescer a abertura de poços. Shoppings, condomínios, hospitais e indústrias estão perfurando, em média, 900 poços por ano. Já existem 12 mil.Desses, calcula-se que 5 mil sejam clandestinos - a estimativa está baseada na venda de bombas hidráulicas. A perfuração indiscriminada e sem a técnica adequada coloca em risco a saúde da população e reduz o nível dos aqüíferos.Essas informações constam do Relatório de Qualidade das Águas Subterrâneas do Estado, divulgadas pela Cetesb. Legalizados, com outorga concedida pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), existem 7 mil poços, a maioria no ABC, Guarulhos e capital.DéficitDe acordo com o relatório, existe um déficit de 8 metros cúbicos por segundo de água para abastecer a região metropolitana. Para suprir a deficiência e driblar o risco de racionamento, moradores recorrem aos poços.Assim, 3 milhões de habitantes são abastecidos por água proveniente de poços subterrâneos. O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, por exemplo, utiliza oito poços, que operam 12 horas por dia, fornecendo 2.700 m³ de água por dia. Há a previsão de duplicar esse volume.RebaixamentoLegalizados ou não, os poços estão reduzindo o volume dos principais reservatórios de água subterrâneos do Estado. "Temos indícios de que está havendo rebaixamento no nível dos aqüíferos, principalmente nas regiões de Rio Preto, Ribeirão Preso, São José dos Campos e na região metropolitana de São Paulo", informou Gerôncio Rocha, da Diretoria de Recursos Hídricos do DAEE. "O departamento vai, em breve, realizar estudos para comprovar esses indícios." Os poços clandestinos oferecem riscos a saúde. "Há uma abertura indiscriminada e sem a técnica adequada, principalmente por parte de empresas também clandestinas", informou o engenheiro José Eduardo Cavalcanti, diretor do Departamento de Engenharia Ambiental e Energia do Instituto de Engenharia (IE).Abandonados"Normalmente essas empresas só pagam o trabalho de abertura se der água em volume suficiente. Se isso não acontecer, o buraco é abandonado, que poderá provocar a contaminação do aqüífero."O DAEE tem apenas 98 fiscais para combater a abertura de poços clandestinos e fiscalizar os 30 mil legalizados. O departamento mantém uma ouvidoria para denúncias (fone 11-3293-8523).

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 12h14

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