Polícia apreende 200 aves na ´Feira do Rolo´

A Polícia Civil realizou ontem uma blitz na "Feira do Rolo", em Diadema, Grande São Paulo, um autêntico mercado persa onde se vende de tudo. Com o apoio de uma organização não-governamental (ONG) que luta pela preservação da fauna, policiais apreenderam cerca de 200 aves que eram vendidas ilegalmente e sofriam maus-tratos. Trinta pessoas foram detidas e encaminhadas ao 1º Distrito da cidade. Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também participaram da operação. A "Feira do Rolo" é realizada todos os domingos pela manhã na Rua Tupi, no bairro Serraria, há pelo menos dez anos. O visitante pode achar qualquer tipo de produto, de motores de geladeira a carrinhos de bebê. O problema é que pessoas honestas que desejam trocar algum utensílio doméstico convivem com criminosos que querem passar adiante bens roubados, principalmente toca-fitas e peças de veículos. Foi nessa feira que um dos integrantes da quadrilha que seqüestrou e matou em fevereiro o prefeito de Santo André, Celso Daniel, comprou um revólver utilizado no crime. "Dei um tiro no pneu traseiro da Pajero com uma arma comprada por R$ 1 mil na ´Feira do Rolo´ em Diadema", confessou à polícia Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho, referindo-se ao veículo do qual os bandidos tiraram Daniel na noite do seqüestro. Além dos produtos de roubos e furtos, o que mais preocupa a polícia é a venda de animais, principalmente aves. A operação de ontem estava planejada havia uma semana e contou com a participação de 90 policiais do Departamento de Polícia da Macro São Paulo (Demacro) e da Seccional de Diadema. A entidade SOS Fauna colaborou com os investigadores na blitz, ajudando a identificar os animais em condições precárias. Pintassilgos - Entre as centenas de aves apreendidas ontem estavam papagaios, pintassilgos, araras e algumas espécies em risco de extinção, como o chupim-do-brejo e a araponga. Uma veterinária e duas biólogas, ligadas à ONG, além de outros voluntários, ficaram encarregados de cuidar dos animais, limpando gaiolas e fornecendo a alimentação e curativos necessários. "É um absurdo o que pessoas sem o mínimo de preparo fazem com estes bichos na feira", disse o presidente do SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha. "Tem gente que chega a escondê-los em fundos falsos nos carros." De acordo com ele, voluntários da SOS Fauna, fundada há dois anos, têm recebido ameaças por investigarem denúncias de maus-tratos a animais. Segundo Rocha, que vem investigando a feira há um ano, são vendidas aproximadamente 600 aves a cada domingo na Rua Tupi. O delegado seccional de Diadema, Reinaldo Correia, afirmou que só com mega-operações como a de ontem será possível combater os criminosos e reprimir a venda de produtos ilegais na feira, visto que é praticamente impossível fechá-la. "Há pessoas honestas lá, que vão trocar ou vender objetos antigos. Temos é que impedir a presença de criminosos com peças roubadas e as pessoas que não tratam bem os animais", falou Correia. "Não sabia que não podia vender os pássaros aqui. Venho quase todo fim de semana e ninguém tinha me falado nada", afirmou Manuel Vital Costa, um dos detidos. Ele pretendia vender 20 aves na "Feira do Rolo". De acordo com fiscais do Ibama que participaram da operação, Costa e as outras 29 pessoas detidas pela polícia vão ter de pagar multas de R$ 500,00 por pássaro. O valor sobe para R$ 3.000,00 se a ave estiver ameaçada de extinção.

Agencia Estado,

29 de abril de 2002 | 09h53

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