Política doméstica pode afetar luta climática, alerta ONU

'A primeira prioridade dos políticos talvez seja antes de mais nada se eleger', disse Ban Ki-Moon

Por Krittivas Mukherjee , Reuters

05 de fevereiro de 2009 | 14h55

Um novo tratado climático global pode ser impossível caso os políticos não deixem de lado suas preocupações eleitorais domésticas, disse nesta quinta-feira, 5, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, para quem a crise econômica mundial deve dificultar a adoção de medidas impopulares.   Veja também: Custo de reduzir CO2 drasticamente é 1% do PIB mundial UE apresenta posição para negociar novo acordo sobre clima Especial: Entenda as negociações do novo acordo sobre mudança climática Especial: Quiz: você tem uma vida sustentável?  Especial: Evolução das emissões de carbono      "A primeira prioridade (dos políticos) talvez seja antes de mais nada se eleger, seja qual for o caso", disse Ban numa conferência sobre desenvolvimento sustentável em Nova Délhi. "Mas eles devem superar isso e olhar além dessa liderança política pessoal. Têm de demonstrar sua liderança como líder global."   "Para os líderes políticos, sempre há claramente alguns riscos políticos que eles querem evitar", acrescentou o sul-coreano.   Muitos países - ricos e pobres - estão revendo suas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa, num momento em que as preocupações econômicas imediatas ofuscam a luta contra a mudança climática.   Em países como a Índia, quarto maior poluidor do mundo, a mudança climática mal aparece nos programas partidários e nas campanhas eleitorais.   Em dezembro, em Copenhague, cerca de 190 países devem se reunir para tentar aprovar um novo tratado climático internacional, para vigorar a partir de 2013, substituindo o atual Protocolo de Kyoto.   "Temos de examinar todas as questões geracionais. Portanto, por favor, olhem além das suas preocupações domésticas e olhem para o futuro", disse Ban, acrescentando que o sucesso de Copenhague depende de como as lideranças políticas reagirão a três importantes desafios.   "Primeiro, Copenhague deve esclarecer os compromissos dos países desenvolvidos em reduzirem suas emissões, mas estabelecendo metas intermediárias ambiciosas, com bases críveis."   "Devemos também ter clareza sobre quais ações de mitigação os países em desenvolvimento estarão preparados para realizar. Terceiro, os governos e também o sistema da ONU devem criar soluções críveis para a administração dos novos fundos (para o combate às mudanças climáticas), e sua resposta em termos de implementação."

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