Poluição mata milhares de peixes na Lagoa de Carapicuíba

A poluição está matando milhares de peixes na Lagoa de Carapicuíba, na Grande São Paulo. A maior culpada por essa tragédia ambiental seria a lama do Rio Tietê - que está sendo despejada nas margens da lagoa. Moradores e ambientalistas estão revoltados com a cena - sem forças, os peixes agonizam, por falta de oxigênio na água.O resíduo retirado no rebaixamento da calha do Tietê foi analisado pelo Instituto Ambiental 21, de Santa Catarina. Foi constatada a presença de ferro, manganês, zinco e um tipo de sulfato bem acima dos níveis máximos permitidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).O nível de ferro permitido é de 0,3 mg/l. A terra retirada do Tietê tem 44,29 mg/l. A Lagoa de Carapicuíba, com cerca de 1,6 milhão de metros quadrados (30% de área pertence à cidade de Barueri), também sofre com o lançamento do esgoto da Cohab e de chorume (substância resultante da decomposição de material orgânico) do antigo lixão da cidade.Segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Estado, órgão responsável pela obra no Tietê, os 4 milhões de metros cúbicos de terra e lodo despejados nas margens da lagoa são inertes (não contaminados). Mas sobre a morte dos peixes o Daee não se manifestou.Segundo a Prefeitura, a área aterrada da lagoa será transformada em um parque com 160 mil metros quadrados. A Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) vai analisar novamente a terra em Carapicuíba. O laudo deve sair na semana que vem.A Procuradoria-Geral da República estuda a possibilidade de entrar com liminar contra o depósito de resíduos. Segundo o procurador federal Alexandre Camanho, que participou nesta quinta-feira de audiência sobre o assunto na Assembléia, a intervenção se justifica pelo fato de o Tietê pertencer à Bacia do Prata, que é federal.Ele pretende verificar se o financiamento internacional da obra - do Japan Bank International Cooperation (JBIC) e do BID - tem aval do governo federal. "Queremos o bloqueio das verbas da obra, por conta das complicações ambientais."Um dossiê sobre problemas ambientais na obra do Tietê foi entregue pelo Movimento Grito das Águas a Camanho e aos deputados Emídio Souza (PT) e Donizete Braga (PT), presidente da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia, que deve vistoriar o local. Para Leonardo Morelli, coordenador do Grito das Águas, não há garantia de que sedimentos contaminados com metais pesados, como chumbo, ferro e manganês, não estejam sendo depositados na lagoa.

Agencia Estado,

09 de maio de 2003 | 20h58

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