Por segurança, supercargueiro da Vale é afastado da costa para reparos

Embarcação corria o risco de naufragar no terminal portuário de Ponta da Madeira

07 Dezembro 2011 | 00h41

SÃO LUÍS - Numa manobra arriscada que envolveu quatro rebocadores e cerca de 80 técnicos, o supercargueiro Vale Beijing, da mineradora Vale, atracado desde sábado no Terminal Portuário de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), com uma fissura no casco e 360 mil toneladas de minério de ferro a bordo, foi levado nesta terça-feira, 6, em segurança para um das áreas de fundeio da Baía de São Marcos, a seis milhas náuticas de distância.

 

Antes da operação, havia o temor de que, se tocasse no fundo da baía, o casco da embarcação poderia partir e causar uma tragédia ambiental. O Vale Beijing é um dos maiores navios graneleiros do mundo, com 361 metros de comprimento.

 

O Ibama e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Maranhão acompanharam a operação em direção ao fundeadouro e não constataram nenhum tipo de vazamento, de minério ou do combustível do navio. A operação, autorizada na noite de segunda-feira, foi executada às 10h40 de terça e envolveu duas equipes da Capitânia dos Portos do Maranhão e técnicos especializados em salvamento marítimo da Holanda e da Coreia do Sul, entre eles, um engenheiro coreano da STX, operadora do graneleiro.

 

No fim da tarde, o capitão dos portos do Maranhão, Nelson Calmon, descartou a possibilidade de naufrágio. Segundo ele, foram constatadas duas fissuras próximo à parte traseira (popa) da embarcação. As fissuras provocaram uma diferença de quatro metros entre a parte traseira e a dianteira do Vale Beijing. “Agora, os técnicos trabalham para estabilizar o navio”, disse Calmon.

 

Um inquérito foi aberto para investigar as causas da fissura. A Marinha trabalha com três hipóteses: descuido na distribuição da carga no embarque, fadiga do material e falha de construção. A mineradora Vale informou que deixou de embarcar cerca de 750 mil toneladas em minério de ferro entre domingo e terça-feira. O terminal portuário já voltou a operar normalmente.

 

 

Capacidade. Como o Terminal de Ponta da Madeira não tem capacidade para fazer o desembarque da carga, a solução foi levar a embarcação para uma área de fundeio. Horas antes da manobra, fontes da área portuária, que pediram para não ser identificadas, disseram que o volume de água que vazou para dentro do tanque de lastro era muito grande e estaria no limite da capacidade das bombas internas do Vale Beijing.

Segundo especialistas, o minério de ferro – que tinha como destino o porto de Roterdã, na Holanda – apresenta perigo para o ambiente pela quantidade que pode vir a escapar do navio Beijing, e não pela toxicidade do ferro.

 

“O ferro não é um contaminante dos mares. Inclusive o sulfato ferroso vem sendo usado em projetos de fertilização dos oceanos”, afirma o professor de oceanografia química do Instituto Oceanográfico da USP, Rubens Figueira. Ele afirma que os riscos ambientais existentes são advindos da quantidade que o navio carrega. “Se isso tudo vazasse de uma vez, o que poderia acontecer é um soterramento da vida marinha local. Ou seja: os organismos não vão morrer intoxicados, mas por falta de oxigênio”, diz Figueira.

 

Para a professora Samia Tauk, do Centro de Estudos Ambientais da Unesp em Rio Claro, o ferro é um elemento que tem a capacidade de imobilizar outros elementos da natureza. “Como se fosse um ímã, ele pode se unir a elementos como o cálcio, o magnésio e o potássio, que alimentam os organismos aquáticos, e tornar esses nutrientes não disponíveis para eles”, diz ela.

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