Por US$ 100 mil, clínica em Seul clona animais de estimação

Instituição faz a experiência com gado e porcos, mas é mais conhecida por fazer 'cópias' de cachorros de estimação

O Estado de S.Paulo

04 Julho 2016 | 16h41

A 100 mil dólares por cabeça, os filhotes que correm em um campo cercado no oeste de Seul não são propriamente baratos, mas ao menos seus donos sabem exatamente pelo que pagaram: um animal de estimação idêntico, por dentro e por fora, ao que um dia perderam.

O campo pertence à Sooam Biotech Research Foundation, líder mundial do próspero negócio de clonagem de animais de estimação, que está há uma década oferecendo aos donos de filhotes abastados um animal de estimação que os acompanhe para sempre.

Com uma lista de clientes que inclui príncipes, famosos e milionários, a fundação oferece aos donos proteção contra perdas e danos, com um serviço de clonagem que promete a perfeita substituição para o animal amado.

Desde 2006, a companhia já clonou cerca de 800 cachorros, a pedido de proprietários ou de agências estatais que buscam uma réplica de seus melhores detetives antidroga ou cachorros de salvamento.

"São pessoas que têm laços muito fortes com seus animais de estimação... e cloná-los dá a elas uma alternativa psicológica ao método tradicional de deixar que o animal se vá e guardá-lo na memória", explica Wang Jae-Woong, pesquisador e porta-voz da Sooam.

"Com um clone, se tem a possibilidade de trazer de volta o animal de estimação" perdido, assegura na "sala de cuidados" da fundação, onde cada filhote clonado é guardado em uma jaula com paredes de vidro e temperatura controlada enquanto os pesquisadores monitoram a saúde do animal.

Desde o nascimento da ovelha Dolly, em 1996, a pré-história para o mundo da clonagem, os acertos e erros desta técnica causaram um polêmico debate.

A Sooam Biotech clona muitos tipos de animais, incluindo gado e porcos para pesquisa médica, mas é  mais conhecida por seu serviço comercial de venda de cachorros.

Apesar da tarifa de 100 mil dólares, os pedidos para este serviço se multiplicam e provêm de todo o mundo, a metade deles da América do Norte.

As paredes do edifício onde fica a fundação estão adornadas com dezenas de fotos de cachorros clonados junto de seus sorridentes donos, e incluem bandeiras nacionais de países como Estados Unidos, México, Dubai, Rússia, Japão, China e Alemanha.

Na maioria dos casos, entretanto, os clientes e patrocinadores da fundação preferem permanecer no anonimato.

Uma das clonagens mais divulgadas foi a de Trakr, um cachorro policial conhecido por ter descoberto o último dos sobreviventes após o ataque de 11 de setembro de 2001.

Após receber numerosas negativas por parte do Estado sul-coreano sobre o pedido de desenvolver pesquisas com células-tronco humanas, o centro desistiu, mas trata de desenvolver projetos ambiciosos como seus recentes esforços para clonar o extinto mamute.

O chefe dos pesquisadores da Sooam, Jeong Yeon-Woo, no entanto, assegura que a clonagem de cachorros continua sendo seu serviço favorito pela reação que provoca nas pessoas que recuperam seu animal de estimação.

"É como se encontrassem (sua) criança perdida", assegura Jeong./AFP

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