Portadores de HIV estão vivendo mais tempo, mostra estudo

A pesquisa não incluiu os homens e as mulheres infectados por meio do uso de drogas injetáveis

MICHAEL KAHN, REUTERS

01 de julho de 2008 | 21h52

Os portadores do vírus HIV que moram em países desenvolvidos não apresentam chances maiores de morrer nos cinco anos seguintes à contaminação quando comparados com o restante da população, afirmaram pesquisadores britânicos na terça-feira. Os riscos que corre uma pessoa contaminada por meio de uma relação sexual aumentam um pouco depois disso, mostrou um estudo publicado na Journal of the American Medical Association e que chama atenção para a eficiência dos remédios de combate à Aids adotados na metade dos anos 90. A pesquisa não incluiu os homens e as mulheres infectados por meio do uso de drogas injetáveis, já que o risco de vida nesse grupo continuava sendo mais alto nos cinco anos seguintes à contaminação, disse Kholoud Porter, integrante do Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha e coordenadora do estudo. "É muito positivo o fato de a expectativa de vida (dos portadores de HIV) tornar-se semelhante à da população não-contaminada", afirmou Porter, uma epidemiologista. "Isso também mostra a importância de que os portadores sejam identificados e recebam tratamento o quanto antes." O surgimento nos anos 90 da terapia baseada em uma combinação de drogas, chamada de terapia anti-retroviral altamente ativa (Haart), conseguiu ampliar enormemente o período de vida de muitas pessoas infectadas pelo HIV e que moram nos países desenvolvidos. Não há cura ou vacina para a doença, mas os remédios, que afetam o HIV em vários níveis, podem manter as pessoas saudáveis durante anos mesmo que o vírus nunca seja erradicado. Isso significa que os portadores do HIV precisam tomar esses medicamentos pela vida toda. Entre os principais fabricantes dos remédios de combate à Aids estão a GlaxoSmithKline, a Gilead Sciences, a Roche, a Pfizer, a Merck, a Bristol-Myers Squibb e a Abbott Laboratories. A equipe britânica de pesquisadores comparou o risco de morte de 13 mil homens e mulheres nos cinco anos consecutivos à contaminação com o risco de morte de pessoas do mesmo sexo e idade sem o HIV e vivendo no mesmo país e na mesma época. Antes de 1996, quando a utilização do coquetel de remédios ainda não estava disseminada, o risco de morte era maior entre 8 e 20 por cento, a depender da faixa etária, antes de cair para quase zero no ano de 2000 para todas as faixas etárias, disse Porter. O risco aumenta novamente depois dos cinco primeiros anos, possivelmente porque as pessoas começam a tomar os remédios de forma menos regular ou talvez porque começam a desenvolver algum tipo de intolerância aos medicamentos, afirmou. "De um ponto de vista prático, as pessoas contaminadas pelo HIV desejam saber qual sua expectativa de vida", disse a cientista em uma entrevista concedida por telefone. O grupo mais jovem -- composto por pessoas com 15 a 24 anos de idade quando infectadas -- apresentava um risco 5 por cento maior de morte depois dos primeiros dez anos da contaminação e de 7 por cento maior após 15 anos. Para as pessoas com mais de 45 anos, o risco aumentava 5 por cento nos primeiros dez anos e 12 por cento nos primeiros 15, disse Porter. O vírus da Aids atinge, segundo estimativas, 33 milhões de pessoas em todo o planeta, a maior parte delas na África subsaariana, e já matou 25 milhões de pessoas.

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