Potencial eólico é mais alto nas regiões Nordeste e Sul

O potencial eólico do Brasil, de vento firme e com viabilidade econômica de aproveitamento, é de 143 gigawatts (GW). Isso equivale ao dobro de toda a capacidade de geração já instalada no país. Mesmo assim, o vento não está entre as prioridades de investimento da matriz energética nacional e ocupa um parco espaço na mídia, apesar de toda a preocupação com a redução dos impactos ambientais das fontes energéticas mais tradicionais e das emissões de gases relacionados ao aquecimento global da atmosfera. Cada 10 MW de energia eólica, produzida com a tecnologia já disponível, evita a emissão de mais de 20 mil toneladas de carbono por ano. Sem nenhum outro tipo de poluição ou emissão. A distribuição do potencial eólico, no entanto, é bastante desigual. No Nordeste está o maior potencial regional, 75 GW. Em seguida vem o Sudeste com quase 30 GW, porém uma parte em áreas de difícil acesso, onde a instalação das imensas turbinas seria complicada. O Sul tem potencial para aproveitar quase 29 GW, sobretudo na pampa e na planície costeira gaúcha, áreas de fácil acesso e ventos constantes. Na região Norte, quase todo o potencial de 13 GW está concentrado em Roraima, na região dos lavrados, no nordeste do estado. E, no Centro-Oeste, os 3 GW estão em torno do Pantanal, na região sul.Uma única empresa, sediada em Sorocaba, no interior de São Paulo, produz turbinas eólicas ou aerogeradores, no Brasil. A Wobben é subsidiária da alemã Enercon, que domina 16% do mercado mundial, já instalou 6,2 mil turbinas em 28 países, totalizando cerca de 5.200 MW. Além dos sistemas completos, fabricados em Sorocaba, possui também uma fábrica de pás no Ceará. Mas 90% de sua produção ainda é para exportação. ?Somos um caso raro de empresa louca para parar de exportar?, comenta Pedro Ângelo Vial, diretor presidente da empresa, cuja expectativa é de desenvolver o mercado brasileiro. Ele considera o potencial nacional promissor, porém ainda alinha o país com a Argentina, China, Reino Unido e França, todos com bons ventos, mal aproveitados.?No Brasil, a energia eólica ainda tem uma sazonalidade complementar à energia hidrelétrica, porque os períodos de melhor condição de vento coincidem com os de menor capacidade dos reservatórios?, acrescenta Vial. A integração dos dois tipos de energia poderia conferir mais confiabilidade e estabilidade às redes de distribuição, afastando a ameaça de racionamento e apagões, a cada estiagem mais prolongada.Sinais de mudançaO total já instalado no Brasil soma apenas 22,2 MW. É um mercado quase experimental, mas há sinais de mudança. Além da expectativa de desenvolvimento, a partir da implementação do Proinfa, começam a surgir iniciativas promissoras. Ainda neste mês de outubro, por exemplo, deverá ser inaugurada a primeira turbina ? de 600kW - instalada por um particular, em Bom Jesus da Serra, Santa Catarina. É um passo significativo porque esta é fórmula que melhor funciona nos Estados Unidos e Europa: as fazendas de vento ou contratos de arrendamento (net metering) livram as concessionárias de energia da imobilização de capital em terras, onde as turbinas são ?plantadas?. Elas fazem contratos com fazendeiros e instalam turbinas, que não interferem nas outras atividades, de plantio e criação de gado. O fazendeiro tem energia gratuita, recebe uma taxa pelo arrendamento ou por quilowatt produzido, e independe de baterias ou geradores para armazenar a energia, porque as turbinas são conectadas diretamente à rede de transmissão.Outro sinal importante foi a opção da Petrobrás, de instalar 1,8MW no centro de distribuição de petróleo de Macau, Rio Grande do Norte. De acordo com Mozart de Queiroz, gerente de energias renováveis da Petrobrás, a estratégia é tornar autônomos os centros mais isolados, utilizando, sempre que possível, energias renováveis. ?As turbinas de Macau serão experimentais, para avaliação de desempenho, assim como outras fontes nas quais estamos investindo como solar, álcool e biodiesel, sendo que a solar será usada basicamente no aquecimento da água utilizada nos centros e escritórios, enquanto a eólica produzirá eletricidade?, diz.

Agencia Estado,

05 de outubro de 2003 | 22h29

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