Prefeitos querem compensação por veto a usinas

Frustrados pelo arquivamento do projeto de lei que permitia a instalação de usinas de álcool e açúcar na Bacia do Alto Paraguai, perto da área pantaneira de Mato Grosso do Sul, agora os prefeitos da região querem uma compensação.Eles afirmam que pode ser por meio de uma lei ou diferencial na alíquota dos incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado, atualmente fixado em 67%. "Além dos 67% concedidos por lei, eles pedem um bônus de 20%", explicou o secretário estadual de Produção e Turismo, Dagoberto Nogueira Filho.Moacyr Kholl, de Coxim; Obadias de Lana, de Bandeirantes; Adão Rolim, de São Gabriel do Oeste; Zelir Maggioni, de Sonora; Adão Arantes, de Rochedo; João Bairde, de Jaraguari; e Wanderley da Mota, de Pedro Gomes: esses prefeitos encabeçam um movimento pela melhoria de seus municípios, considerados os mais pobres do Estado.Todos aguardavam com ansiedade a aprovação do projeto do governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que acabou vetado pelos deputados estaduais no dia 30, em sessão ordinária da Assembléia Legislativa.O veto ocorreu 17 dias depois da morte do ambientalista Francisco Anselmo de Barros, o Francelmo, que num protesto contra a instalação das usinas ateou fogo ao próprio corpo no dia 12, vindo a morrer 24 horas depois. Sua atitude teve repercussão nacional e acabou por causar uma briga entre Zeca do PT e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que considerou o projeto inconstitucional."Só pode ser pobre?"Para o prefeito de Coxim, a aprovação do projeto era uma esperança de desenvolvimento. "Não pode biodiesel, não pode mandioca, não pode cana. O que pode então? Só pode ser pobre?" Kholl chegou a ser aplaudido pelos outros prefeitos, durante reunião com o secretário Nogueira, por causa desse desabafo.Zeca do PT afirma que o projeto morreu e que não vai ressuscitá-lo, aumentando ainda mais a frustração dos prefeitos. Eles alegam que uma das conseqüências mais imediatas da falta de investimentos em suas cidades é o êxodo rural e urbano.Coxim, por exemplo, nas margens do Rio Taquari, entrada do Pantanal norte, é a mais prejudicada. Isso porque lá nem mesmo o turismo existe, em razão da inundação permanente de mais de 1 milhão de hectares, causada pelo assoreamento do rio.Nogueira marcou para o início da próxima semana um encontro com o grupo de prefeitos, o governador e deputados estaduais para discutir o assunto e buscar uma solução.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2005 | 10h41

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