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Preservar água é tema da Campanha da Fraternidade

Embora 70% da superfície da Terra seja coberta de água, menos de 1% desses recursos estão disponíveis para consumo humano. Ainda que essa pequena parcela seja mais do que suficiente para suprir as necessidades dos 6 bilhões de habitantes do planeta, cerca de 40% da população mundial não tem acesso à água de qualidade. Conseqüentemente, mais de 5 milhões de crianças morrem anualmente de doenças disseminadas pela água.Foi com base em dados como esses que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu a água como tema da Campanha da Fraternidade 2004, com lançamento marcado para esta quarta-feira em Brasília.Nos 40 anos da campanha, que tradicionalmente tem enfoques mais sociais e políticos, essa será apenas a segunda vez que a Igreja abordará um tema ligado ao meio ambiente. Em 1979, o mote era ?Preserve o que é de todos?.Necessidade socialO objetivo é conscientizar a população sobre a necessidade ambiental e social de preservar a água e usá-la de forma racional. ?A água precisa ser encarada como um bem de toda a sociedade, para que todos cuidem de sua qualidade e evitem o desperdício?, disse o presidente da CNBB, cardeal arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo.A campanha ocorre simultaneamente no mundo, sempre a partir do primeiro dia da Quaresma, mas cada país escolhe seu tema. No Brasil, a proposta partiu da Comissão Pastoral da Terra (CPT). ?A razão é simples: sem água não se trabalha a terra, não se produz alimento?, disse o sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, professor da Universidade Católica de Brasília e assessor da CNBB.Lei do Patrimônio HídricoA CNBB quer propor a discussão de uma Lei do Patrimônio Hídrico Brasileiro. A proposta prevê a criação de um Sistema Nacional de Gerenciamento do Patrimônio Hídrico Brasileiro, do qual participariam os comitês de bacias de todo o País. Esse órgão deliberaria sobre as grandes outorgas de água, a gestão de águas costeiras, subterrâneas e minerais.A campanha vai propor ainda uma política nacional de captação de águas de chuva e reforçar que os serviços públicos de saneamento e abastecimento permaneçam sob gestão do Estado.?Água não se privatiza, por razões bíblicas tanto quanto éticas?, explicou Oliveira. ?É um dom de Deus e um bem público, cuja gestão não pode ser confiada ao mercado como um produto qualquer?, diz o sociólogo Oliveira.

Agencia Estado,

25 de fevereiro de 2004 | 11h33

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