Presidente da CNBB admite surpresa na escolha do novo papa

Conferência também diz que seguirá linha conservadora imposta por Bento XVI

Gerson Monteiro,

11 Fevereiro 2013 | 14h08

APARECIDA - Em coletiva de imprensa nesta tarde em Aparecida, no interior de São Paulo, Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), disse que a Jornada Mundial da Juventude manterá sua programação e contará com a visita do novo papa, uma surpresa na escolha do novo líder da Igreja não está descartada.

Dom Raymundo começou a entrevista lendo a nota da CNBB, enfatizando que o trabalho da Igreja terá continuação e a linha conservadora será mantida. "Estamos subordinados a palavra de Deus, com toda a fidelidade", comentou.

Cinco cardeais brasileiros são elegíveis ao papado, mas dom Raymundo não arriscou palpites. Para ele, não há critérios explícitos para a escolha de um novo líder da Igreja Católica no Mundo. "Temos que escolher o que é melhor para a Igreja e para o Mundo".

"São muitos os desafios nos dias de hoje. Estamos passando por uma mudança de época e não época de mudanças. Uma mudança muito mais profunda", avalia o presidente da CNBB.

"Se fosse um brasileiro, seria realmente [um fato] totalmente novo na historia do pontificado", ao comentar sobre a possibilidade de um brasileiro vir a ser o novo papa. "Pode haver grandes surpresas", pontuou.

Em sua opinião, no máximo em um mês o novo papa já será anunciado, considerando que Bento XVI foi eleito no segundo dia de conclave – reunião a portas fechadas entre cardeais do mundo todo. Dom Raymundo descartou uma linha menos conservadora dentro da Igreja.

Leia a íntegra da nota da CNBB:

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, o anúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro, que ficará vacante a partir do dia 28 de fevereiro próximo. Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado.

Teólogo brilhante, Bento XVI entrará para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do Deus Pequeno”, que fez do Reino de Deus e da Igreja a razão de sua vida e de seu ministério. O curto período de seu pontificado foi suficiente para ajudar a Igreja a intensificar a busca da unidade dos cristãos e das religiões através de um eficaz diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como para chamar a atenção do mundo para a necessidade de voltar-se ao Deus criador e Senhor da vida.

A CNBB é grata a Sua Santidade pelo carinho e apreço que sempre manifestou para com a Igreja no Brasil. A sua primeira visita intercontinental, feita ao nosso País em 2007, para inaugurar a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e, também, a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Jornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, são uma prova do quanto trazia no coração o povo brasileiro.

Agradecemos a Deus o dom do ministério de Sua Santidade Bento XVI a quem continuaremos unidos na comunhão fraterna, assegurando-lhe nossas preces.

Conclamamos a Igreja no Brasil a acompanhar com oração e serenidade o legítimo processo de eleição do sucessor de Bento XVI. Confiamos na assistência do Espírito Santo e na proteção de Nossa Senhora Aparecida, neste momento singular da vida da Igreja de Cristo.

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