José Patrício/AE
José Patrício/AE

Presidente da CNBB assume cargo dizendo que manterá diálogo com o governo

De acordo com o cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, Igreja apoiará projetos de interesse da sociedade

José Maria Mayrink, enviado especial,

13 Maio 2011 | 18h02

APARECIDA (SP) - O novo presidente da CNBB, cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, afirmou em Aparecida, ao tomar posse ao lado do vice-presidente, d. José Belisário da Silva, e do secretário-geral, d. Leonardo Ulrich Steiner, que a Igreja manterá o diálogo com o governo e apoiará projetos de interesse da sociedade, mas não deixará de levantar a voz em defesa dos direitos fundamentais do homem - a começar pelo direito à vida, em todas as suas dimensões.

"A Igreja tem uma missão própria e religiosa de anunciar o Evangelho, mas deve acompanhar os projetos do governo e, se for necessário, dar sua opinião sobre eles, do ponto de vista ético", disse d. Damasceno. "Nossa relação com o governo deve ser uma relação positiva, de diálogo, colaborando naquilo que for para o bem do povo, do cidadão", acrescentou o cardeal-arcebispo de Aparecida.

A nova presidência da CNBB, empossada pela manhã nesta sexta-feira, 13, no encerramento da 49ª Assembleia Geral dos bispos, terá uma reunião em julho com os membros das 12 comissões episcopais pastorais, também eleitas em Aparecida, para analisar e colocar em prática as diretrizes aprovadas para a ação da Igreja nos próximos quatro anos. O vice-presidente, d. Belisário, adiantou que elas se resumem em cinco pontos: com ênfase na dimensão missionária.

Esse esforço missionário vai buscar novos fiéis e investir na volta dos católicos batizados que abandonaram a prática religiosa. Isso não significa, segundo os bispos, uma reação ao crescimento dos grupos evangélicos. "O avanço dos evangélicos não nos preocupa, porque, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, perdeu o ritmo nos últimos anos, com a ascensão social dos brasileiros", disse d. Damasceno.

O secretário-geral, d. Leonardo Steiner, considerou positivo o adiamento da votação do projeto do novo Código Florestal, porque essa pausa será uma oportunidade para outros segmentos da sociedade discutirem a questão. "Alguns pontos devem ser revistos, para proteção do meio ambiente", advertiu o bispo, citando como exemplo a mata ciliar. "Não se faz diferença entre grandes rios e riachos, quando se trata de delimitar a área ribeirinha em que não se pode plantar", disse d. Leonardo. A CNBB acha que a faixa a ser preservada deve ser proporcional à largura do curso d'água.

D. Damasceno informou que, após emitir uma nota sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal a respeito da união estável de pessoas do mesmo sexo, a CNBB não pretende voltar ao assunto. "Já dissemos o que tínhamos de dizer", afirmou. Na nota, o episcopado lembrou a natureza do matrimônio cristão, entre homem e mulher, e advertiu que a união de homossexuais não pode ser equiparada à família. Ao analisar a questão na assembleia geral de Aparecida, os bispos consideraram que o STF ultrapassou a sua competência, ao julgar um tema que, em sua avaliação, deveria caber ao Legislativo.

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