Presidente da CNBB critica vícios eleitoreiros de candidatos

Dom Gerlado Lyrio Rocha diz que há "um longo caminho a percorrer" contra a corrupção

Tatiana Fávaro, enviada especial de O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2008 | 11h51

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou após encontro matinal no primeiro dia da 46ª Assembléia Geral da CNBB, que 2008 é um ano de superar vícios eleitoreiros. "Éstamos procurando superar vícios que nos acompanham há muito tempo, maneiras inadequadas de conduzir o processo eleitoral", afirmou. "Onde há candidatos corrompendo eleitores com compra de votos e eleitores corrompendo candidatos com a venda de votos." Dom Geraldo afirmou que embora a legislação procure coibir a compra de votos a situação ainda é preocupante no interior do País. "Temos um longo caminho a percorrer", disse. Mais reservado, o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, não deixou que as eleições de 2008 se tornassem foco de suas conversas na manhã desta terça-feira, no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (a 102 quilômetros de São Paulo). "Há uma série de temas na pauta e outros temas (sócio-políticos e sócio-econômicos) serão tratados mas não como temas centrais da assembléia", afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta ao presidente da CNBB na qual afirma ter consciência de que "não cabe a nenhum governo ou forma de poder tentar domesticar ou reduzir o papel das igrejas ou comunidades religiosas". Dom Geraldo solicitou ao vice-presidente da CNBB que, auxiliado por outros dois bispos, ele responda a Lula.Ao falar sobre o ano eleitoral, dom Geraldo considerou comum atos de governantes serem interpretados como eleitoreiros. "Mas cabe mais ao Tribunal do que à CNBB julgar isso." Durante nove dias os bispos vão discutir e aprovar Novas Diretrizes de Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. As conclusões da 5ª Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe, realizada em Aparecida (a 167 quilômetros de SP) no ano passado também serão discutidas na assembléia. Aproximadamente 300 bispos na ativa e outros 80 aposentados participam do encontro, no qual serão debatidos ainda os melhores caminhos para a chamada Missão Continental e a reconquista do "rebanho" católico não-praticante. Mais cedo, o vice-presidente CNBB, D. Luiz Soares Vieira, fez o primeiro pronunciamento da 46ª Assembléia Geral. D. Luiz falou sobre a importância da presença dos cerca de 300 arcebispos e bispos inscritos e afirmou que, apesar de abordar temas difíceis como bispos ameaçados de morte, problemas com o governo federal e congresso nacional, discutidos no ano passado, a assembléia também tem o objetivo de debater novas diretrizes da Igreja.

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