Presidente de Israel acompanhará papa em visita à Terra Santa

Relação entre os Estados do Vaticano e de Isarel nunca foram tranquilas, e incidentes pioraram as tensões

Associated Press,

15 de fevereiro de 2009 | 17h13

O presidente de Israel acompanhará pessoalmente o papa Bento XVI em sua visita à Terra Santa, em maio, disse o primeiro-ministro Ehud Olmert, em meio às tensões que marcam a relação entre o Vaticano e a comunidade judaica internacional.   Bento XVI diz que negar Holocausto é ''inaceitável'' A polêmica do bispo que nega o Holocausto   Bento vem tentando amenizar as tensões surgidas após a reabilitação de um bispo excomungado que fez pouco caso do Holocausto.   Olmert falou da peregrinação papal durante uma reunião do gabinete de governo, neste domingo. "Em maio deste ano, Israel receberá um visitante especial, o papa Bento XVI", disse Olmert, sem dar a data exata. "O presidente Shimon Peres vai acompanhá-lo em suas visitas a várias partes do país". Peres, de 85 anos, é um ganhador do Prêmio Nobel da Paz e toma parte nos esforços pela reconciliação no Oriente Médio há décadas.   As frágeis relações entre o Vaticano e Israel pioraram depois de o papa readmitir na Igreja um bispo excomungado, Richard Williamson, que recentemente declarou que a evidência existente "é enormemente contra 6 milhões de judeus terem sido deliberadamente mortos com gás". ele disse que 300 mil judeus foram mortos pelos nazistas, "mas nenhum deles em uma câmara de gás".   Cerca de 6 milhões de judeus foram mortos por nazistas e colaboradores durante a 2ª Guerra Mundial. Muitos foram vítimas de gás venenoso, enquanto que outros foram assassinados em massa por pelotões de fuzilamento, fome e outros meios. Cerca de 240 mil sobreviventes do Holocausto moram em Israel. Bento condenou os comentários de Williamson e falou contra o antissemitismo e a negação do Holocausto.   A única visita oficial anterior de um papa a Israel havia sido feita em 2000, por João Paulo II.   O papa Paulo VI esteve no país em 1964, mas passou apenas parte de um dia no país e não entrou na parte israelense de Jerusalém - na época, a cidade era dividida em um setor israelense e um jordaniano. Ele se reuniu com o presidente do país em Megiddo, no norte de Israel, mas não se dirigiu a ele como "presidente", e não mencionou a palavra "Israel" em público. Os dois Estados só passaram a manter relações diplomáticas na década de 90.   O Vaticano critica uma foto do papa Pio XII no memorial do Holocausto, cuja legenda diz que o pontífice não fez nada para ajudar os judeus que eram capturados pelos nazistas e enviados para a morte. E Israel recentemente ofendeu-se com declarações do cardeal Renato Martino, de que uma campanha militar recente empreendida pelo país fez com que o território palestino da Faixa de Gaza parecesse "um grande campo de concentração".

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