Presidente do Ibama estuda candidatar-se a deputado

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Hamilton Casara, entrega amanhã a carta de demissão, mas ainda não definiu se sairá candidato a cargo eletivo ou se permanecerá no quadro de técnicos do órgão. Filiado ao PSDB, Casara estuda a possibilidade de disputar uma vaga de deputado federal por Rondônia, seu Estado de origem. Pelo menos seis nomes são cogitados para assumir a presidência do instituto.A saída de Casara ocorrerá efetivamente na quinta-feira, quando despachará com técnicos e diretores do Ibama, mas amanhã já entrega sua carta de demissão. "Sairei, mas não sei ainda se serei candidato. É um campo novo em minha vida, mas estou estudando ainda esta possibilidade", disse. A decisão sobre o novo presidente do Ibama será tomada até o fim da semana, mas até hoje, todos os nomes que estavam sendo cotados pertencem aos quadros do próprio governo, com exceção do biólogo Eduardo Martins, que já dirigiu a instituição e atualmente está à frente de uma empresa de assessoria na área ambiental. O mais cotado é Romeu Aldigueri Coelho, gerente do Ibama no Ceará, que contaria com apoio do governador do Estado, Tasso Jereissatti (PSDB) e é bem conceituado dentro da instituição. A escolha do cearense seria uma afago do Planalto para Tasso, preterido como candidato dos tucanos à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.Dos demais candidatos, apenas Raimundo Deusdará, atual secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, e Rômulo Melo - diretor de Gestão Estratégica do Ibama - não possuem suposto apadrinhamento político. Os demais, José Anchieta, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama em Brasília, mas natural de Pernambuco, contaria com a simpatia do vice presidente Marco Maciel. Enquanto que Jader Figueiredo, também dos quadros do Instituto em Minas Gerais, seria o candidato do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB). Além da possibilidade de candidatar-se, Casara está deixando o Ibama em função de problemas internos, causados principalmente depois de sua decisão de proibir a retirada e exportação de mogno. Desde o final do ano passado, quando decidiu deflagar uma operação de guerra no interior da Amazônia, ele vem recebendo ameaças de morte. Mesmo assim, conseguiu evitar, em apenas um mês, que mais de 40 mil metros cúbicos da madeira - considerada uma das mais nobre do mundo - saíssem ilegalmente do País. Mesmo com a substituição de Casara, o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, pretende manter a política de combate à exploração ilegal de mogno no País. Logo que assumiu o cargo, no mês passado, Carvalho fez questão de confirmar Casara à frente do Ibama, para sinalizar às quadrilhas que retiram ilegalmente madeira da Amazônia que a operação de guerra continuaria.

Agencia Estado,

01 de abril de 2002 | 18h48

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