Enrique Alvarez/NYT
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Primeira americana a caminhar no espaço alcança o ponto mais profundo do oceano e faz história

Astronauta e oceanógrafa, Kathy Sullivan, de 68 anos, mergulhou até um ponto localizado a 10.000 metros de distância do nível do mar

Heather Murphy, The New York Times

09 de junho de 2020 | 03h15

A primeira mulher americana a caminhar no espaço se tornou a primeira a alcançar o ponto mais profundo do oceano. Neste domingo, 8, Kathy Sullivan, de 68 anos, astronauta e oceanógrafa, emergiu de um mergulho de cerca de 10.927 metros de profundidade até a Depressão Challenger, na Fossa das Marianas, local mais fundo da superfície terrestre. 

Kathy é a primeira pessoa a caminhar no espaço e alcançar o fundo do oceano. Ela e Victor L. Vescovo, o explorador que financia a missão, passaram cerca de uma hora e meia no destino. Após capturarem imagens do Limiting Factor (em tradução literal, o Fator Limitante), um submarino produzido especialmente para pesquisas, os dois iniciaram a subida de quase quatro horas. 

Ao voltar à embarcação, a dupla ligou para um grupo de astronautas que estão na Estação Espacial Internacional, a 254 milhas de distância da Terra. “Como uma oceanógrafa e astronauta, este foi um dia extraordinário, um dia único, vendo a paisagem lunar da Depressão Challenger e trocando anotações com meus colegas na Estação Internacional”, disse Sullivan em um comunicado divulgado pela Expedição EYOS na segunda-feira, 8. 

Na manhã de domingo, Vescovo publicou no Twitter uma mensagem de parabéns para Sullivan pelo marco alcançado. Em 1978, Kathy fez parte do primeiro grupo de astronautas americanos a incluir mulheres. No dia 11 de outubro de 1984, ela se tornou a primeira mulher americana a caminhar no espaço. 

Ela sempre foi fascinada pelo oceano - antes de se tornar astronauta, Kathy participou de uma das primeiras tentativas de uso de um submarino para estudar os processos vulcânicos que formam a crosta oceânica. Tim Shank, biólogo na Instituição Oceanográfica Woods Hole, chamou Sullivan de “líder de realizações” no estudo dos oceanos. Só existe um submarino no mundo capaz de chegar até a Depressão Challenger, disse ele. “Fico feliz em saber que Kathy estava nele”. 

A Depressão Challenge foi descoberta por um navio britânico que percorreu o globo de 1872 a 1876. Desde então, muitas expedições buscaram medir a profundidade da fissura, desencadeando divergências não só sobre os números, mas também sobre quem foi o primeiro a chegar ao local. 

Em abril de 2019, Vescovo, parceiro de Sullivan no mergulho, disse que foi o primeiro a chegar lá. O diretor de Titanic, James Cameron, discordou, dizendo que alcançou um ponto mais profundo ainda em 2012. Kathy vai continuar no mar pelos próximos dias, de acordo com uma representante de uma das empresas envolvidas na missão. 

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