AP Photo/Ariel Schalit
AP Photo/Ariel Schalit

Primeira missão espacial de Israel à Lua está pronta para decolagem na Flórida

Nave decolará na noite desta quinta em uma missão bancada por doações privadas. Em janeiro, missão chinesa conseguiu pouso no 'lado escuro'

Reuters, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 19h46

A primeira espaçonave de Israel destinada à Lua está programada para decolar na Flórida, na quinta-feira, 21, na primeira missão lunar com financiamento privado e que pode tornar o país a quarta nação a alcançar a superfície lunar.

O explorador robótico não-tripulado chamado Beresheet — palavra hebraica para “gênesis” — está previsto para decolar do Cabo Canaveral às 22h45min, no horário de Brasília, impulsionado pelo foguete Falcon 9, da companhia SpaceX, do bilionário Elon Musk.

A sonda de 585 quilos, com tamanho de uma máquina lava-louça, foi construída pela SpaceIL, empresa sem fins lucrativos, e pela Israel Aerospace Industries (IAI), companhia estatal de defesa, com 100 milhões de dólares fornecidos quase integralmente por doações privadas.

Se o lançamento for bem-sucedido, Beresheet deve chegar ao lado mais próximo da Lua em abril, seguindo uma jornada de dois meses por 6,5 milhões de quilômetros no espaço.

A SpaceIL disse esperar que a Beresheet inspire o programa espacial israelense voltado para fins militares a buscar mais missões científicas por meio de um “efeito Apollo”, referindo-se ao programa de exploração lunar que se tornou o carro-chefe da agência espacial norte-americana, Nasa, nos anos 1960 e início dos anos 70.

Os Estados Unidos, a antiga União Soviética e a China são os únicos três países que alcançaram sucesso em aterrissagens “suaves” de espaçonaves na superfície lunar até agora.

A missão da sonda israelense terá apenas dois a três dias na Lua. A sonda vai usar instrumentos para fotografar o local do pouso, medir o campo magnético da Lua e enviar os dados para Israel, afirmou o vice-presidente da SpaceIL, Yigal Harel.

Se bem sucedida, a sonda vai servir como um protótipo para uma série de missões futuras de aterrissagem na Lua planejadas em conjunto pela IAI e pela OHB System, da Alemanha, a pedido da Agência Especial Europeia.

Missão chinesa mostrou força espacial do país

A China realizou com sucesso no dia 3 de janeiro a alunissagem de uma sonda na face oculta da Lua, uma proeza que reforça as ambições espaciais de Pequim. A sonda Chang'e-4, que havia decolado em 8 de dezembro, pousou sem problemas no satélite natural da Terra às 10h26 (horário chinês), segundo informou a agência chinesa Xinhua.

Chang'e-4 - assim chamada em homenagem à deusa da Lua na mitologia chinesa - enviou uma foto da superfície lunar ao satélite Queqiao, em órbita ao redor da Lua nesta quinta. Nenhuma sonda nem módulos de exploração haviam pousado antes na superfície da face oculta da Lua. Todas as alunissagens anteriores ocorreram na face visível da Lua, a mais próxima da Terra, que está sempre posicionada de frente ao nosso planeta.

A face oculta da Lua também recebe o nome de "lado escuro", ainda que essa designação seja inapropriada, já que a luz solar atinge toda a superfície do satélite da Terra. A região é montanhosa e acidentada, cheia de crateras, enquanto que a face visível tem numerosas superfícies planas para o pouso. A primeira nação a conseguir captar imagens da face oculta da Lua foi a União Soviética em 7 de outubro de 1959 com sua sonda automática Luna 3.

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