Problemas obrigam usina Angra 1 a parar

Um aumento anormal de pressão no gerador de vapor da usina nuclear Angra 1, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, verificado na quarta-feira, obrigou a Eletronuclear a desligar a unidade. A ocorrência é classificada segundo a Agência Internacional de Energia Atômica como "Evento Não Usual (ENU)". As causas do problema e extensão dos danos serão investigadas após a retirada do combustível e inspeção do reator, segundo Pedro Saldanha, responsável pela fiscalização dos reatores na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Saldanha garante que não houve vazamento de vapor d´água radioativo, porque o problema havia sido detectado há cerca de 2 meses e vinha sendo monitorado. "A CNEN tinha autorizado o funcionamento nestas condições, desde que o desligamento fosse antecipado, em caso de aumento de pressão, no que foi atendida, portanto não houve necessidade de pedir o fechamento da usina", diz Saldanha. Em nota oficial, a CNEN afirma que "o vazamento se deu entre recipientes estanques, não houve liberação de radiaçãopara o ambiente ou qualquer tipo de exposição dos trabalhadores da usina e da comunidade vizinha a qualquer risco adicional"."Temos uma usina com pressão alta, mas não temos um remédio capaz de resolver o problema", ironiza Mário Mantovani, da Fundação SOS Mata Atlântica, que estava em Angra dos Reis, integrando uma comitiva conjunta com o Greenpeace, de protesto contra a construção de Angra 3. "O informe sobre o vazamento é cheio de termos técnicos: fala em ´evento não usual´, que na verdade, quer dizer acidente; não há nenhuma preparação; não há divulgação de informações; só obtém a nota de esclarecimento quem pressiona e a população não sabe de nada", resume. "Estamos de volta à situação de Cubatão dos anos 80, quando os riscos impostos à população por acidentes químicos eram notificados uma semana depois de ocorridos".Vale lembrar que, em setembro de 2001, ocorreu um vazamento de vapor d´água radioativo, também em Angra 1, que só foi comunicado à mídia, à população e mesmo a algumas autoridades, exatamente uma semana depois de ocorrido.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2003 | 22h52

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