Processo inicial da metástase é desvendado

Americanos descobriram como o câncer se espalha a partir de um ponto inicial para outros locais do corpo, segundo estudo que sai na revista científica Nature. Para eles, a descoberta abre uma nova oportunidade terapêutica para conter a metástase.O câncer se dispersa quando células tumorais caem nas correntes sanguínea ou linfática e viajam até outro órgão, onde um segundo tumor se forma. O grupo, da Universidade Cornell em Nova York, observou em camundongos que, antes de as células viajarem, elas mandam "emissários" na frente para preparar o terreno.Uma proteína produzida pelo câncer cola em outras células, as da medula óssea progenitoras das células sanguíneas. Elas são promovidas a "soldados do câncer", migrando até uma região em particular.Lá, os emissários se instalam e começam a produzir uma proteína chamada fibronectina, que age como uma cola para atrair e prender mais células da medula, formando um ninho de proteção e fonte de alimento para as células tumorais - que seguem como generais para um campo de batalha já preparado para recebê-los."Esses ninhos têm ligação com as células cancerígenas para implantá-las. Com isso elas não apenas mudam como se proliferam. Depois disso, tem-se um local completamente formatado para um tumor secundário", explica David Lyden, principal autor do estudo.Segundo ele, é a primeira vez que se descobre como funciona o processo inicial da metástase.Mapa da metástaseNo experimento, Lyden e sua equipe analisaram como células provenientes de cânceres de mama, pulmão e esôfago se espalham nos animais. Com isso, eles também descobriram que tumores diferentes geram soldados diferentes, que direcionam as células para um ou outro tecido preferencial.Essa é mais uma explicação para a alta incidência de metástase em certos órgãos, como pulmão e cérebro. Normalmente, eles agem como filtro do sangue por conterem vasos mais finos, mas Lyden mostra que mais de um fator pode estar envolvido com a escolha."É um mapa de onde a metástase vai ocorrer", diz ele. "Basicamente, estamos examinando todos os passos anteriores envolvidos com a metástase. É complexo, mas abrimos uma porta para tudo o que acontece antes da célula tumoral se implantar."Processo mortalA metástase é o processo mais mortal envolvido no câncer. Não é raro pacientes com tumores sólidos serem operados e tratados inicialmente, para morrer algum tempo depois de um câncer secundário."São a principal causa de óbito dos pacientes", afirma o cirurgião oncologista Ademar Lopes, vice-presidente do Hospital do Câncer, em São Paulo. "Esse é um estudo experimental que precisa ser validado, mas toda informação sobre como se dá o processo é essencial."Se a proposta for comprovada, ela pode abrir o caminho para a criação de drogas que interceptem esses "soldados" e coíbam sua ação, talvez assim ajudando a prevenir a expansão do câncer."Inibidores do processo seriam de grande interesse para bloquear a metástase", escreve Patricia Steeg, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, em um artigo que acompanha o estudo na mesma edição da Nature.É a intenção de Lyden: "Se pudermos entender todas as múltiplas etapas, podemos desenvolver novas drogas para bloquear cada passo."

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2005 | 23h52

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