Procuradora quer mapa de areia tóxica no interior de SP

A Procuradoria da República e o Ministério Público Estadual vão pedir à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) um relatório sobre as áreas de deposição de areia de fundição que ameaçam o Rio Corumbataí, que abastece Piracicaba. Pelo menos 15 focos do resíduo tóxico, sem proteção, foram constatados por ambientalistas perto da Área de Preservação Permanente (APP) da várzea do rio, bastante próximos também de áreas residenciais.Em nota, a procuradora da República em Piracicaba, Sandra Kishi, diz que o local deve ser "devidamente mapeado para a adoção das medidas cabíveis no âmbito cível e criminal." Conhecida pela concentração de indústrias de fundição, a região de Piracicaba sofre com o problema da falta de locais para a deposição da areia. São 25 mil toneladas por mês. Das 22 empresas que atuam ali, apenas seis têm processo de recuperação e aproveitamento de parte das areias.Metais cancerígenosA areia contém metais pesados como chumbo, cobre e alumínio, pois a indústria de fundição usa areia nos moldes de peças de metal. A sobra fica contaminada pelos metais e por fenóis, resultantes das resinas usadas na compactação.A professora de Impacto Ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Samia Maria Tauk Tornisielo alerta para o risco de contaminação do Corumbataí. "Esses metais, que são cancerígenos, podem entrar na cadeia alimentar e chegar ao homem."1 milhão de toneladasAinda não há provas da contaminação do solo e da água. Mas, para o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, é praticamente impossível que a área não tenha sido afetada."Há mais de 1 milhão de toneladas de areia com resíduos a céu aberto", diz Bocuhy, membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Ele sobrevoou a região com representantes do Coletivo de Entidades Ambientalistas, no dia 12, e enumerou 15 áreas.Por meio de nota, a Cetesb informou que as áreas que recebem deposição de areia de fundição são monitoradas. "No que se refere à existência de outros locais destinados à deposição de outros resíduos industriais, esses não são de conhecimento desta agência e, portanto, não receberam a aprovação e fiscalização da mesma."ReusoSão Paulo produz 40% dos fundidos do País e Piracicaba é uma das grandes produtoras, diz o pesquisador Claudio Luiz Mariotto, engenheiro metalurgista do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Por isso a região carece de soluções duradouras para o problema dos resíduos tóxicos.Hoje, a areia de fundição tem três destinos possíveis: ser reutilizada pela própria empresa, usada para a fabricação de asfalto, blocos e cerâmica depois de tratada ou ir para um aterro apropriado. "O mais usual hoje é o resíduo ir para um aterro industrial", explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel.O IPT desenvolveu uma unidade móvel de reciclagem de areia de fundição. O equipamento vai às indústrias sobre um caminhão e faz o tratamento da areia na empresa. "Mas é difícil resolver o problema do passivo ambiental, que está depositado há anos", diz o responsável pelo desenvolvimento do projeto, Claudio Luiz Mariotto. Depois de tratada, a areia pode ser até 80% reaproveitada, segundo ele.

Agencia Estado,

18 de fevereiro de 2004 | 12h10

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