Progesterona melhora sono de mulheres

O hormônio progesterona tem efeito relaxante sobre o sono de mulheres na pós-menopausa. A constatação foi feita por uma pesquisa de doutorado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A progesterona é usada em combinação com o estrógeno na reposição hormonal, para controlar os efeitos colaterais do tratamento.Depois de avaliar 33 mulheres entre 50 e 65 anos, a pesquisadora Helena Hachul de Campos constatou que a progesterona reduz a síndrome das pernas inquietas, distúrbio do sono em que a pessoa tem seguidos movimentos involuntários dos membros inferiores, enquanto dorme.Cerca de 45% das mulheres avaliadas tinham mais de cinco movimentos involuntários de pernas por hora de sono. Havendo até cinco movimentos por hora, a reação é considerada normal.O tratamento com progesterona fez o número de movimentos de pernas cair para um ou três por hora. A movimentação das pernas foi detectada por polissonografia - exame que registra tudo o que ocorre durante o sono do paciente.O estudo também mostrou que a progesterona diminuiu outro distúrbio do sono: o bruxismo, caracterizado pelo ranger dos dentes enquanto a pessoa está dormindo. As quatro mulheres com bruxismo pararam de ter o problema depois de tomar progesterona. O bruxismo foi identificado apenas por meio de entrevistas com as pacientes.Como os dois distúrbios estão relacionados com contração muscular, Helena desconfia que a progesterona tenha ação relaxante. Ela explica que essa hipótese ainda precisa ser demonstrada por novos estudos. A contribuição inédita da pesquisa é a influência, comprovada por polissonografia, da progesterona sobre a síndrome das pernas inquietas.Efeito isoladoSono com má qualidade está entre as queixas de mulheres na pós-menopausa. O sintoma costuma ser eliminado pela reposição hormonal - cujo principal hormônio é o estrógeno. Para testar o efeito da progesterona isoladamente, Helena dividiu o estudo em duas fases e as 33 mulheres, em dois grupos. Cada fase equivale a tratamento de três meses.Na primeira fase da pesquisa, 14 mulheres (grupo 1) receberam estrógeno e outras 19 (grupo 2) tomaram placebo (substância que apenas imita o remédio, mas não tem nenhum efeito sobre o organismo). Na segunda fase, a progesterona foi acrescentada ao tratamento dos dois grupos. Assim, as mulheres do grupo 1 passaram a tomar estrógeno e progesterona e as do grupo 2, placebo e progesterona.As mulheres também sentiram melhora na memória. "Isso foi mais evidente no grupo que tomou só placebo e depois teve a adição de progesterona", diz Helena. Cerca de 61% das mulheres desse grupo tinham perda de memória. Depois de tomar a progesterona, essa porcentagem caiu para 47%.Mulheres interessadas em entrar em contato com a pesquisadora, que continuará pesquisando os efeitos dos hormônios sobre o sono, podem enviar e-mails para: hmcampos@intertrim.com.br .

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2002 | 20h30

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