Projeto ajuda a proteger albatrozes

Cinqüenta albatrozes-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophrys) vão ajudar um grupo internacional de especialistas a esboçar as rotas migratórias da espécie e propor medidas para sua conservação. As 50 aves faziam parte de um grupo de 16 mil jovens albatrozes, marcados no peito com uma tinta especial, no seu local de nascimento, a Ilha de Steeple Janson, nas Malvinas. Depois de iniciar seu vôo migratório, em abril passado, eles foram avistados por estudantes, pescadores, pesquisadores e voluntários, que estavam a bordo de embarcações de pesca, com a missão de colher o máximo de informações possível. A campanha de avistagem foi um esforço conjunto das organizações não governamentais Falklands Conservation e Birdlife International, com a colaboração de vários grupos ambientalistas e de pesquisa. No Brasil, a parceria foi com o Projeto Albatroz, responsável por 33 das 50 avistagens. No total, 39 avistagens ocorreram na costa sul brasileira.Os albatrozes estão entre as maiores aves marinhas, chegando a ter 2 metros de envergadura de asas. A espécie em estudo tem o corpo branco com o dorso e a parte superior das asas negras, bico escuro e patas amarelas, como a maioria das espécies do gênero, mas diferencia-se pela mancha escura ao redor dos olhos, que lhe rendeu o apelido de albatroz-de-sobrancelha-negra. É a espécie mais comum do litoral brasileiro e a mais capturada, de forma involuntária, em espinhéis, linhas com vários anzóis, usadas na pesca oceânica. As aves ficam presas nos anzóis após abocanhar as iscas, debatendo-se até morrer. Estima-se as mortes de albatrozes em espinhéis em 1600 por ano, no Brasil.Outro problema que enfrentam é a poluição oceânica, sobretudo por combustíveis, que permanecem na superfície da água, aderindo às penas, bicos e patas. Dependendo da espessura e tipo de poluente, as aves afetadas podem morrer intoxicadas, asfixiadas ou afogadas (porque perdem a capacidade de flutuar). Além de analisar as informações coletadas na campanha de avistagem, o Projeto Albatroz vai iniciar agora um trabalho de educação ambiental junto aos pescadores, semelhante ao que já é desenvolvido pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. Coordenado por Roberto Wahrlich, da Univali, o Programa de Formação e Qualificação Profissional na Produção Pesqueira (Profipesca) embarca estudantes dos dois últimos anos de Oceanografia em viagens de pesca de 10 a 15 dias, durante os quais eles ministram aulas aos pescadores. Em geral são grupos de 15 a 25 pescadores, em cada barco, sendo que um total de mil pescadores já passaram pelo curso, nos últimos 4 anos. Os estudantes tratam de segurança no trabalho, salvatagem (equipamentos e procedimentos para salvamentos), primeiros socorros e educação ambiental.?Procuramos conscientizar os pescadores sobre a importância de conservar os oceanos, explicando a eles como funcionam os ecossistemas, qual o efeito dos combustíveis ou do lixo jogado no mar, que tipo de lixo deve ser mantido no barco, o que fazer com este lixo e, claro, explicando porque eles devem observar os defesos e como fazer para evitar capturas involuntárias de tartarugas, mamíferos marinhos e aves?, resume Wahrlich, que administra também o Programa Nacional de Observadores Científicos, responsável por 5 avistagens de albatrozes marcados. A experiência da Univali será aproveitada pelo Projeto Albatroz, que vai incorporar aos seus cursos embarcados o treinamento nas técnicas desenvolvidas para evitar a captura involuntárias de aves nos espinhéis, como o uso do espantalho marinho e o tingimento das iscas (são usados corantes alimentícios azuis, tornando as iscas menos visíveis para as aves). Os cursos serão ministrados tanto em barcos brasileiros como nos arrendados, que pescam em águas brasileiras. O financiamento é da Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO), num total de US$15 mil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.