Projeto de parque em ilha de SP provoca críticas

Nem todo mundo está feliz com a proposta do Ibama de transformar a Ilha de Queimada Grande, no litoral sul paulista, em Parque Nacional Marinho. Pelo projeto, seriam proibidas atividades de pesca num raio de duas milhas náuticas ao redor da ilha. O local, a 34 km da costa, é muito procurado para a prática de mergulho, caça submarina e pesca esportiva, além de atrair cientistas interessados em estudar sua rara biodiversidade."É um projeto absurdo, que vai acabar com um grande segmento de turismo que ainda existe", diz o diretor de Pesca do Iate Clube de Santos, David Alhadeff. "Simplesmente não haverá mais nenhuma ilha no litoral sul onde as pessoas possam pescar ou praticar esportes náuticos." Todas as outras o Ibama já fechou, diz o dirigente da Federação Paulista de Pesca Submarina, Álvaro Lopes Dias.Ele mergulha em Queimada Grande há 30 anos e diz que nunca notou qualquer alteração do ecossistema marinho ou terrestre. "A ilha já está preservada pelo próprio isolamento geográfico. Se alguém está subindo lá para roubar cobra, é porque não há fiscalização." Queimada Grande se tornou famosa pela jararaca-ilhoa, espécie de cobra que só existe lá e é cobiçada por biopiratas por causa de seu veneno.Manejo, e não proibição"Ninguém é contra a preservação. Mas é preciso que haja manejo das atividades, não proibição", reforça o instrutor de mergulho e caça submarina Cláudio Guardabassi, que mergulha na ilha há 40 anos. "Assim, todos podem usufruir da natureza, sem prejudicá-la."Em vez da pesca esportiva, que tem um impacto mínimo sobre o ecossistema, diz Guardabassi, o Ibama e organizações não-governamentais deveriam se preocupar com problemas mais sérios, como a ocupação dos manguezais - que servem de berçário para peixes marinhos - e o esgoto que é despejado no ambiente pelos emissários marinhos. "Mas não vejo ninguém se organizando por causa disso."A proposta de criação do parque, elaborada por representantes do Ibama em São Paulo em parceria com ONGs e pesquisadores, está sendo avaliada pelo Ibama em Brasília.

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