Projeto leva exemplo de motivação a alunos carentes

Em palestras nas escolas, o Gerando Falcões fala de jovens da periferia que conseguiram excelência nas áreas em que atuam

Thales Willian dos Santos Silva,

28 Novembro 2012 | 23h00

Com o desejo de resgatar a autoestima do adolescente da periferia, o jornalista Eduardo Lyra, de 24 anos, morador de Poá, na Grande São Paulo, criou o projeto Gerando Falcões. Ele pediu dinheiro emprestado a amigos, colocou uma mochila nas costas e viajou por sete Estados do País à procura de jovens que deixaram a pobreza e alcançaram lugar de destaque na sociedade. Com 11 histórias em mãos, Lyra compilou todos os relatos no livro Jovens Facões e iniciou o trabalho. “Comecei a levar os exemplos do livro aos estudantes das escolas públicas com o objetivo de encorajá-los e apresentá-los uma nova referência de vida.”

O projeto entrou nas escolas neste ano e já atingiu, segundo o idealizador, mais de 20 mil estudantes da rede pública. Uma parceria com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo autoriza que o Gerando Falcões tenha acesso livre a 58 colégios.

 

“Quando começo a falar, os alunos me lançam olhares de descrédito, mas depois que conto pelo menos três histórias do livro, a situação muda. Eles entendem aos poucos que existe chance mesmo estando na periferia”, conta Lyra, após receber a ligação de uma professora que o convidara para mais uma palestra.

Do ponto de vista educacional, a diretora de Inovação da Faculdade de Tecnologia Fiap, Nathalie Trutmann, garante que faltam mais lições de coragem e sobra teoria nas escolas. “O Gerando Falcões é o único tipo de projeto que pode gerar a transformação. Isso é, na verdade, o gás essencial de que os jovens precisam. Com isso, o resto vai por si só”, explica.

Para avaliar a eficiência do projeto, Nathalie esteve ao lado de Lyra durante uma palestra. Ela relata que foi uma das experiências mais transformadoras que já presenciou. “As histórias mudam as caras dos estudantes. Não tem como as pessoas ficarem iguais depois da palestra. A mudança ocorreu comigo, e já tenho 40 anos.”

 

Uma das histórias contadas pelo Gerando Falcões nas escolas é a do morador de Marília, no interior de São Paulo, Ricardo Ferreira, de 24 anos. Filho de metalúrgico, ele ingressou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e hoje sustenta a publicação de um estudo sobre aquecimento global na revista Science – uma das mais respeitadas pela comunidade científica internacional.

 

Segundo Ferreira, os jovens, principalmente aqueles que crescem em um ambiente com recursos limitados, têm carência de referências de pessoas que conquistaram algo ou transformaram suas vidas saindo de lugares iguais aos deles.

 

Mais três histórias devem integrar o Gerando Falcões ainda neste ano: de Marco Gomes, criador da Boo-box, primeira empresa brasileira de tecnologia de publicidade e mídias sociais; de Amit Garg, capixaba que estudou em Harvard, trabalhou no Google e, hoje, atua no fundo global dedicado aos investimentos nacionais e internacionais Norwest Venture Partners (NVP); e do vlogger Felipe Neto, um dos grandes sucessos na internet.

 

“Eu talvez não mude o mundo, mas consiga mudar uma pessoa”, enfatiza Lyra. Esse objetivo ele alcançou quando esteve na Escola Estadual Professora Lacy Leski Lopes, de Poá. Pelo menos é o que garante a aluna e atendente de telemarketing Flávia Cardoso, de 17 anos.

 

“Ao fim da palestra, percebi que tinha voltado a sonhar. As histórias dos jovens falcões são inspiradoras”, diz ela. “Quando estou desanimada, sempre me lembro das palavras que escutei. Já consigo me imaginar com um grande futuro profissional”, completa. Lyra, agora, diz que deseja poder passar mais tempo dentro das escolas.

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